Congonhas adota sistema que pode reduzir atrasos em decolagens
A ferramenta dá aos controladores mais opções para orientar aviões na subida e em arremetidas; o Decea prevê adoção gradual em outros aeroportos.
Resumo em 30 segundos
Congonhas passou a usar a Área de Vetoração em Subida (AVS), sistema que amplia as opções dos controladores para organizar o tráfego após decolagens e em arremetidas. A ferramenta pode ajudar a reduzir esperas e atrasos, mas não garante pontualidade. Brasília e Viracopos já utilizam o recurso; Confins é o próximo previsto.
O Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, passou a usar um sistema que dá aos controladores mais opções para orientar aviões após a decolagem e em casos de arremetida. Implementada na semana passada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), a Área de Vetoração em Subida (AVS) pode contribuir para organizar o tráfego e reduzir esperas e atrasos, mas não garante que eles deixem de ocorrer.
A AVS permite que os controladores ajustem a trajetória de aeronaves ainda nas fases iniciais da subida, inclusive em altitudes inferiores às normalmente previstas na Carta de Altitude Mínima de Vigilância ATS. O procedimento deve respeitar limites e critérios de segurança definidos em cartas aeronáuticas específicas.
Na prática, o sistema amplia as alternativas para coordenar aviões que decolam, os que se aproximam para pousar e aqueles que voltam a subir após uma tentativa de pouso interrompida. A arremetida ocorre quando o piloto suspende a aterrissagem e retoma a subida, por exemplo, diante de uma condição que não permite concluir o pouso com segurança.
A ferramenta pode ser útil para reorganizar o fluxo nesses momentos e evitar que uma interrupção se propague para outras operações. Com mais possibilidades de orientação, os controladores podem ajustar as rotas mais cedo e administrar as saídas com maior flexibilidade. A redução de atrasos é um benefício esperado, não uma garantia de pontualidade para cada voo.
Congonhas é o terceiro aeroporto brasileiro a receber a AVS. Antes, o recurso havia sido implantado nos aeroportos internacionais de Brasília, em abril de 2025, e de Viracopos, em Campinas (SP), em setembro deste ano. O próximo terminal previsto para receber o sistema é o de Confins, em Belo Horizonte, no dia 26.
A implementação em São Paulo foi precedida por estudos sobre as características do aeroporto e as trajetórias de decolagem e de aproximação perdida. O Centro Regional avaliou cenários de uso e integrou o procedimento às operações da torre de controle e do controle de aproximação de São Paulo. Os controladores receberam treinamento específico sobre os critérios de aplicação e as particularidades das diferentes pistas do terminal.
A localização de Congonhas torna a coordenação do espaço aéreo especialmente exigente. O aeroporto fica em uma área densamente urbanizada, cercada por edifícios altos, linhas de energia e helipontos privados, e está inserido em um espaço aéreo de grande complexidade operacional. Esses fatores exigem planejamento e coordenação das manobras, segundo o Decea.
O órgão, vinculado ao Comando da Aeronáutica, afirma que a AVS moderniza o gerenciamento do tráfego ao ampliar a capacidade de resposta dos controladores e ajudar a manter a separação segura entre aeronaves. A vetoração é a orientação de trajetória feita pelo controle de tráfego aéreo em tempo real. Com a ferramenta, os ajustes podem ocorrer durante a subida, dentro das áreas e condições de segurança estabelecidas.
Congonhas é o segundo aeroporto do país em movimentação de passageiros, atrás do Aeroporto de Guarulhos. Mais de 24 milhões de pessoas passaram pelo terminal no ano passado, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O volume de operações aumenta a importância de coordenar as partidas e chegadas sem comprometer a segurança.
Ary Bertolino, brigadeiro-do-ar da reserva e consultor da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), afirmou que a nova ferramenta pode diminuir o tempo de espera antes da decolagem e ajudar a evitar que um imprevisto provoque atrasos em sequência. Segundo ele, trajetórias mais eficientes também podem reduzir o tempo de voo e o consumo de combustível, além de contribuir para menores emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Para os passageiros, os possíveis efeitos incluem menos espera no avião e maior chance de chegar no horário previsto. Uma operação mais organizada também pode ajudar quem precisa fazer conexão e limitar impactos sobre voos seguintes. A adoção da AVS em outros aeroportos será gradual e dependerá de estudos técnicos e operacionais adaptados às características de cada terminal, informou o Decea.