Ministério Público de SC denuncia piloto por acidente de balão
A denúncia atribui a Elvis Crescêncio homicídio culposo e lesão corporal culposa; a Justiça decidirá se aceita o processo pelo acidente em Praia Grande.
Resumo em 30 segundos
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou o piloto do balão que pegou fogo e caiu em Praia Grande em junho de 2025, deixando oito mortos e três feridos. A denúncia aponta falhas na preparação e condução do voo. A Justiça ainda decidirá se aceita o processo, que também pede indenização por danos morais.
O Ministério Público de Santa Catarina denunciou nesta segunda-feira (26) o piloto do balão que pegou fogo e caiu em Praia Grande, no sul do estado, em 21 de junho de 2025. O acidente matou oito pessoas e deixou outras três feridas. A denúncia atribui a Elvis Crescêncio homicídio culposo e lesão corporal culposa; a Justiça ainda decidirá se aceita o processo.
Crescêncio também era sócio-administrador da empresa contratada pelos passageiros. Na denúncia, o promotor Ricardo Figueiredo Coelho Leal pediu ainda que o piloto seja condenado a pagar indenização por danos morais aos sobreviventes e aos familiares das vítimas mortas.
Segundo a investigação, um maçarico mantido no cesto não era o equipamento auxiliar fornecido pelo fabricante do balão. Acoplado a um frasco de gás MAPP, o dispositivo não tinha trava de segurança e exigia que a válvula fosse fechada manualmente para interromper a saída do gás. O Ministério Público afirma que o piloto não verificou o equipamento de forma adequada antes da decolagem e não percebeu que a válvula estava aberta.
Durante o voo, uma mala teria caído sobre o botão de centelha do maçarico. A chama atingiu o revestimento de um cilindro de gás propano e iniciou o incêndio no cesto. De acordo com a denúncia, o fluxo de gás contribuiu para espalhar as chamas; o piloto também teria demorado a iniciar o pouso de emergência e não fechado todas as válvulas e linhas dos cilindros após o início do fogo.
O Ministério Público apontou ainda que os passageiros não teriam recebido explicações suficientes sobre os riscos da atividade, classificada como aerodesportiva de alto risco. A denúncia afirma que não foi informado que a operação e a aeronave não tinham qualificação técnica emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Também sustenta que os voos eram vendidos como instrução, embora funcionassem como passeios turísticos sem ensino efetivo.
O balão transportava 21 pessoas. Quando desceu e tocou o solo, alguns ocupantes conseguiram sair do cesto, mas a aeronave voltou a subir e foi consumida pelo fogo antes de cair em uma área rural. Os sobreviventes que deixaram o cesto não foram incluídos entre as três pessoas feridas, conforme o balanço divulgado sobre o acidente.
A apresentação da denúncia não significa que o piloto já seja réu: cabe à Justiça decidir se a recebe. Se o processo for aceito, Crescêncio poderá apresentar defesa; em seguida, estão previstas a oitiva de testemunhas, o interrogatório do acusado e o julgamento. Até a publicação das informações sobre a denúncia, a defesa não havia sido localizada.
Para entender
- Anac
- A Agência Nacional de Aviação Civil é uma autarquia federal que regula e fiscaliza a aviação civil no Brasil. Entre suas atribuições estão estabelecer regras e supervisionar atividades relacionadas à segurança e à operação aérea.