Confiança do comércio cai pelo quarto mês seguido em outubro
O índice da CNC ficou em 96,7 pontos, menor nível desde maio de 2021, apesar da proximidade da Black Friday e do Natal.
Resumo em 30 segundos
A confiança dos empresários do comércio caiu 2,7% em outubro, para 96,7 pontos, no quarto recuo mensal consecutivo. Os três componentes do índice — condições atuais, intenções de investimento e expectativas — diminuíram. A CNC apontou cautela com a economia e os negócios, além da concorrência de produtos importados e do endividamento dos consumidores.
A confiança dos empresários do comércio recuou 2,7% em outubro, para 96,7 pontos, segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi a quarta queda consecutiva e o menor resultado desde maio de 2021, às vésperas da Black Friday e do Natal, períodos de aumento esperado nas vendas.
A retração atingiu os três componentes do índice, tanto em relação a setembro quanto na comparação com outubro do ano passado. Ante o mês anterior, as condições atuais caíram 5,5%, as intenções de investimento recuaram 2,4% e as expectativas diminuíram 1,3%. Na comparação anual, as quedas foram de 4,1%, 1,8% e 1,1%, respectivamente.
O indicador de condições atuais ficou em 68,2 pontos, também no menor nível desde maio de 2021. A avaliação dos negócios e da economia contribuiu para a piora: 78,2% dos entrevistados consideraram que o cenário econômico piorou, a maior proporção desde maio de 2021, quando chegou a 80,5%.
A CNC relacionou o resultado à percepção mais fraca sobre o ritmo dos negócios e à incerteza quanto à economia. A entidade também apontou a concorrência de produtos importados no mercado brasileiro como um fator de pressão. A intenção de contratar funcionários caiu 2,8% em outubro, enquanto a percepção sobre os estoques recuou 1,4%, interrompendo meses de crescimento.
Entre os segmentos, o maior pessimismo foi observado no comércio de bens semiduráveis. O índice de confiança de roupas, calçados, tecidos e acessórios caiu 5,4% em relação a setembro, para 97,3 pontos. Supermercados, farmácias e lojas de cosméticos recuaram 2,7%, para 93,9 pontos; já eletrônicos, eletrodomésticos, móveis e decoração, cine, foto e som, materiais de construção e veículos tiveram baixa de 2,8%, para 100,6 pontos.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que os empresários estão cautelosos em um período no qual poderiam ampliar investimentos para atender à demanda das datas comerciais. “O comércio acende um alerta para todo o País ao entrar no período mais lucrativo do calendário, sob cautela”, disse. Ele associou a hesitação nas contratações e nos investimentos às incertezas fiscais e monetárias e defendeu previsibilidade, segurança jurídica e redução dos custos das operações.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, também avaliou que a economia e o comércio estão desacelerando. Ele citou as importações diretas, que, segundo afirmou, não enfrentam cargas tributárias equivalentes às dos empresários, além do endividamento elevado dos consumidores. Bentes disse esperar que as datas festivas do último trimestre contribuam para melhorar o quadro.
Para entender
- Icec
- O Índice de Confiança do Empresário do Comércio é um indicador da Confederação Nacional do Comércio que acompanha a percepção de empresários do varejo sobre as condições atuais, as expectativas e as intenções de investimento.