Christopher Landau diz que Argentina é o país mais alinhado aos EUA
A declaração foi feita após encontro com o chanceler Pablo Quirno, enquanto Washington sinaliza interesse em ampliar investimentos e cooperação com o governo de Javier Milei.
Resumo em 30 segundos
Christopher Landau afirmou que a Argentina é o país mais alinhado aos Estados Unidos e disse que Washington espera ampliar investimentos e cooperação. A declaração ocorreu durante visita a Buenos Aires, em meio ao apoio americano ao governo de Javier Milei e a divergências sobre a exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas.
O vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou na quinta-feira (22), em Buenos Aires, que a Argentina é o país mais alinhado a Washington. A declaração foi feita após reunião com o chanceler argentino, Pablo Quirno, durante a última etapa de uma viagem do representante americano à América do Sul.
“ Acredito que não há outro país em todo o mundo com o qual estejamos tão alinhados quanto com o governo da Argentina”, disse Landau em entrevista coletiva no Ministério das Relações Exteriores. Ele também afirmou que o país sul-americano dispõe de recursos para se tornar uma “superpotência econômica” e declarou que os Estados Unidos esperam ampliar investimentos e a cooperação.
A aproximação ocorre em meio ao apoio do presidente americano, Donald Trump, ao governo de Javier Milei. Em outubro de 2025, antes das eleições legislativas argentinas, Trump disse que os Estados Unidos não seriam “generosos” com a Argentina se Milei perdesse. Na ocasião, o governo americano também ofereceu um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões para ajudar a conter uma crise cambial.
Dois dias antes da fala de Landau, o embaixador dos Estados Unidos na Argentina, Peter Lamelas, havia relacionado a continuidade do apoio americano à manutenção do rumo político adotado por Milei. Em um discurso a empresários na cidade de Neuquén, ele disse que Washington estava disposto a seguir financiando a Argentina “desde que” o país avançasse, e não retrocedesse. Lamelas caracterizou a direção desejada como “à direita, e não à esquerda”.
Questionado sobre essa declaração, Quirno afirmou que a condição para a cooperação era a Argentina continuar buscando crescimento, ordem macroeconômica e equilíbrio fiscal. Landau, por sua vez, disse que os Estados Unidos estão satisfeitos com o governo Milei, que, segundo ele, favorece o investimento estrangeiro.
O vice-secretário também comentou uma proposta de Milei para endurecer penas relacionadas à exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas, território administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina. A medida pode afetar empresas americanas com atividades na região. Landau afirmou que os Estados Unidos protegem os interesses de suas companhias, mas respeitam o processo legislativo argentino.
A disputa pelas ilhas envolve a exploração de recursos naturais e as posições de Buenos Aires e Londres sobre a soberania do arquipélago. A Argentina busca impedir projetos petrolíferos que considera não autorizados, enquanto o Reino Unido defende o direito dos moradores das ilhas de desenvolver os recursos. O tema coloca Washington diante de interesses de dois parceiros: o governo de Milei e o Reino Unido.
Na sexta-feira (23), Landau se reuniu com Milei na Casa Rosada, sede do governo argentino, após o presidente retornar de uma viagem à Espanha. A embaixada americana afirmou que os Estados Unidos apoiam a agenda argentina de estabilidade e reformas com investimentos em energia, minerais críticos e infraestrutura, por meio do Corredor Andes-Atlântico. Quirno, Lamelas, o subsecretário de Assuntos Hemisféricos dos Estados Unidos, Juan Pablo Segura, e o embaixador argentino em Washington, Alec Oxenford, também participaram do encontro.
A viagem de Landau incluiu ainda o Paraguai. Durante sua passagem por Assunção, o Departamento de Estado anunciou a abertura de um escritório antidrogas destinado a coordenar programas no Cone Sul.
Para entender
- Ilhas Malvinas
- Arquipélago no Atlântico Sul administrado pelo Reino Unido e reivindicado pela Argentina. A disputa de soberania envolve também a exploração de recursos naturais na região, incluindo projetos de petróleo.