Belvo aponta baixo saldo entre quem busca empréstimos de até R$ 505
Estudo com dados de 216 mil CPFs mostra que 87% dos solicitantes tinham menos de R$ 100 na conta quando pediram o crédito.
Resumo em 30 segundos
Levantamento da Belvo indica que 87% dos clientes que pediram empréstimos de até R$ 505 tinham menos de R$ 100 na conta. Cartão de crédito e empréstimo pessoal eram mais comuns entre os analisados do que o consignado. O estudo usou dados compartilhados por meio do Open Finance, com autorização dos clientes.
Um levantamento da empresa de tecnologia financeira Belvo aponta que 87% dos clientes que solicitaram empréstimos de até R$ 505 tinham menos de R$ 100 na conta corrente no momento do pedido. O estudo analisou dados de 216 mil CPFs por meio do Open Finance, sistema que permite o compartilhamento de informações financeiras entre instituições com autorização do cliente.
Entre os solicitantes, 61% já tinham cartão de crédito, com limite médio de R$ 1.150. Nove em cada dez pessoas desse grupo usavam todo o limite disponível. Além disso, quatro em cada dez tinham empréstimo pessoal ativo, com saldo médio de R$ 1.020 e sete parcelas futuras.
O crédito consignado, cujas prestações são descontadas diretamente de salário ou benefício, aparecia com menos frequência: 6% tinham essa modalidade, com saldo médio de R$ 2.745 e 19 parcelas a vencer. Os dados indicam que, entre as pessoas analisadas, cartão e empréstimo pessoal eram mais comuns do que o consignado, embora este seja geralmente uma opção de crédito mais barata.
Leandro Piano, diretor financeiro e diretor-geral da Belvo no Brasil, afirmou que o cartão costuma ser a primeira porta de entrada para o crédito. Segundo ele, muitos clientes podem não distinguir o custo das diferentes modalidades, e os aplicativos dos bancos nem sempre apresentam o consignado como primeira alternativa.
Piano também observou que o desconto automático das parcelas pode pesar na escolha. Com o consignado, o pagamento é feito mesmo quando o cliente preferiria deixar a prestação para outro momento, enquanto outras modalidades podem oferecer mais flexibilidade sobre quando pagar, embora possam custar mais.
O levantamento foi divulgado em um contexto de endividamento elevado. Dados do Banco Central divulgados nesta quinta-feira mostram que a dívida das famílias correspondia a 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto. O comprometimento de renda — parcela destinada ao pagamento de dívidas — chegou a 29% no mesmo mês.
Para Piano, a renda baixa e a perda progressiva do poder de compra ajudam a explicar a busca por crédito. Ele avalia que o Open Finance pode apoiar as instituições na análise de risco ao mostrar movimentações e relações bancárias além da conta em que o cliente pede o empréstimo.
Segundo o executivo, algumas empresas já usam esses dados nas etapas iniciais da avaliação, antes de decidir se restringem ou ampliam uma oferta. A análise pode considerar se a conta informada é a principal do cliente, os limites concedidos e utilizados e a evolução dos gastos. O compartilhamento, porém, depende da autorização do titular, e as informações podem ajudar a compor a avaliação, sem substituir os critérios de concessão de cada instituição.