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Sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Banco Central registra desaceleração do crédito e alta dos juros

O saldo de empréstimos chegou a R$ 7,444 trilhões em setembro, mas cresceu 8,6% em 12 meses, enquanto a taxa média de juros subiu para 32,4% ao ano.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Cliente analisa documentos de empréstimo e uma calculadora em uma mesa. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Cliente analisa documentos de empréstimo e uma calculadora em uma mesa.
Resumo em 30 segundos

O saldo de crédito do sistema financeiro cresceu 0,4% em setembro e alcançou R$ 7,444 trilhões. Em 12 meses, a expansão de 8,6% foi a mais lenta desde fevereiro de 2024. A taxa média de juros subiu pelo segundo mês seguido, e analistas veem dificuldades para as condições de crédito nos próximos meses.

O saldo das operações de crédito do sistema financeiro chegou a R$ 7,444 trilhões em setembro, após crescer 0,4% no mês, informou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira. Em 12 meses, a expansão foi de 8,6%, o menor ritmo desde fevereiro de 2024, em um cenário de juros elevados e aumento da inadimplência, que leva bancos a adotar mais cautela na concessão de empréstimos.

A taxa média de juros das operações de crédito subiu pelo segundo mês seguido e alcançou 32,4% ao ano em setembro. Nos empréstimos com recursos livres — aqueles cujas taxas e condições são definidas pelas instituições financeiras —, a média passou de 48,5% em agosto para 49% no mês seguinte. Para pessoas físicas, chegou a 62,4% ao ano, alta de 0,6 ponto percentual em relação a agosto.

O chefe do departamento de estatística do BC, Fernando Rocha, afirmou que os efeitos da política monetária sobre as taxas de crédito não ocorrem de forma imediata. Segundo ele, mesmo com reduções recentes na taxa Selic, os juros dos empréstimos podem oscilar antes de cair. “Eu acho que vamos ter um momento de redução de taxas, mas é possível ter uma flutuação nesse processo”, disse.

Rocha também relacionou a alta do spread bancário nos últimos dois meses à redução do custo de captação dos bancos. O spread é a diferença entre o custo que as instituições pagam para obter recursos e os juros cobrados dos clientes. Como as taxas dos empréstimos subiram enquanto o custo de captação caiu, essa diferença aumentou; segundo o chefe do departamento, o movimento costuma ser interpretado como sinal de que os bancos veem mais risco nas operações.

A desaceleração aparece também em linhas específicas. O crescimento anual do crédito pessoal para pessoas físicas caiu de 17,6% em janeiro para 6,8% em setembro. Analistas do Citi apontaram perda de ritmo tanto nos empréstimos a famílias quanto nos destinados a empresas.

O Goldman Sachs avalia que as condições de crédito podem enfrentar dificuldades nos próximos meses. A instituição atribui essa perspectiva à política monetária restritiva, à desaceleração do crescimento econômico, ao avanço da inadimplência e ao elevado endividamento das famílias. Juros mais altos encarecem novos empréstimos e podem limitar a capacidade de consumidores e empresas de contratar crédito, enquanto o risco de atraso tende a influenciar as decisões dos bancos.

Fontes: Valor Econômico

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