Dólar dispara 11,77% após reeleição de Lula e chega a R$ 5,584
O Banco Central diz que ainda é cedo para medir o efeito da alta sobre as contas externas; a B3 suspendeu as negociações após a queda dos ativos.
Resumo em 30 segundos
O dólar chegou a R$ 5,584 na manhã desta segunda-feira, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e a B3 interrompeu temporariamente as negociações. O Banco Central afirmou que ainda é cedo para avaliar o impacto da variação cambial sobre o balanço de pagamentos. As projeções do boletim Focus foram enviadas antes da votação.
O dólar subiu 11,77% e chegou a R$ 5,584 na manhã desta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante da queda dos ativos brasileiros, a B3 interrompeu temporariamente as negociações pelo mecanismo conhecido como circuit breaker. O Banco Central (BC) afirmou que ainda é cedo para estimar os efeitos da alta sobre o balanço de pagamentos do país.
Às 10h14, a moeda norte-americana era cotada a R$ 5,584. Na sexta-feira (23), último pregão antes do resultado eleitoral, o dólar havia fechado em queda de 0,96%, a R$ 4,989. A cotação desta segunda retomou patamares registrados em janeiro, quando a moeda chegou a R$ 5,48.
Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do BC, disse que será necessário observar por mais tempo a reação do mercado e sua interação com decisões de política governamental e dados da atividade econômica. Segundo ele, uma variação cambial brusca não provoca necessariamente uma mudança imediata no balanço de pagamentos, que registra as transações econômicas entre o Brasil e o exterior.
Rocha afirmou que parte da desvalorização do real pode ser revertida, permanecer ou até desaparecer por completo. Por isso, avaliou, não é possível concluir no mesmo dia qual será o efeito definitivo da alta do dólar sobre as contas externas brasileiras.
O circuit breaker é uma pausa automática nas negociações da bolsa, acionada quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior. O mecanismo suspende temporariamente as operações para conter movimentos abruptos e permitir que o mercado assimile as informações antes de voltar a negociar.
A moeda vinha se valorizando nos meses anteriores, em meio à expectativa de investidores de que o senador Flávio Bolsonaro (PL) venceria a eleição presidencial. Desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio, em agosto, o dólar havia recuado cerca de 2%.
As projeções do boletim Focus divulgado nesta segunda não incorporavam o resultado eleitoral: os economistas consultados pelo BC haviam enviado suas estimativas antes da votação. Para o fim deste ano, a previsão para o dólar caiu de R$ 5,13 para R$ 5,05; para o ano que vem, recuou de R$ 5,22 para R$ 5,15.