Citi recomenda compra de ações do Mercado Livre e reduz preço-alvo
Banco fixa preço-alvo em US$ 2.050, abaixo dos US$ 2.100 anteriores, mas vê potencial de alta de 22,8% após a queda recente dos papéis.
Resumo em 30 segundos
O Citi elevou sua recomendação para as ações do Mercado Livre de neutra para compra, apesar de reduzir o preço-alvo para US$ 2.050. O banco vê potencial de alta de 22,8%, mas alerta para riscos de investimentos maiores, crédito e câmbio. Também projeta crescimento de cerca de 30% no GMV brasileiro em 2027.
O Citi elevou de neutra para compra sua recomendação para as ações do Mercado Livre, negociadas em Nova York, após a queda recente dos papéis. O banco, porém, reduziu o preço-alvo de US$ 2.100 para US$ 2.050; a nova estimativa representa potencial de valorização de 22,8% em relação ao último fechamento.
A avaliação considera que a cotação mais baixa abriu uma oportunidade de entrada, apesar dos desafios macroeconômicos, sobretudo no Brasil. Os analistas João Pedro Soares e Felipe Husein afirmam que a companhia ainda deve crescer acima dos mercados de consumo em que atua, mesmo com projeções para 2027 e 2028 inferiores às estimativas do mercado.
O Citi vê a posição competitiva da empresa e a perspectiva de expansão de longo prazo como fatores que sustentam a recomendação. O banco também avalia que juros elevados no Brasil podem dificultar investimentos de novos concorrentes e de empresas que buscam ampliar sua operação.
Sobre a Shopee, o relatório menciona que a controladora Sea estaria direcionando recursos para outros segmentos, como infraestrutura de nuvem, o que poderia limitar uma expansão mais acelerada da plataforma no Brasil. Ainda assim, o Citi aponta que a principal preocupação para o Mercado Livre é a possibilidade de a empresa precisar investir mais para manter o crescimento e ganhar participação.
Esse esforço poderia pressionar a margem Ebit — indicador que mede o resultado antes de juros e impostos — para abaixo da previsão de cerca de 7% em 2027. O banco não espera espaço significativo para novas revisões de lucro com base nas projeções atuais.
Entre os fatores que podem impulsionar os resultados, o Citi prevê que o Mercado Livre continue avançando acima do mercado e estima crescimento próximo de 30% no volume bruto de mercadorias (GMV) no Brasil em 2027. Para o terceiro trimestre de 2026, o banco reduziu a projeção de alta do GMV no país de 37,5% para 36%, após observar uma evolução de usuários ativos diários (DAU) mais fraca que a esperada. O relatório, no entanto, não considera esse dado uma mudança na tendência de longo prazo.
O Citi também destaca riscos ligados ao crédito e ao câmbio. A carteira de empréstimos da empresa cresceu rapidamente, embora a gestão tenha adotado mais cautela nos empréstimos pessoais de prazo mais longo. No cenário cambial, o banco estima que uma desvalorização de 10% do real frente ao dólar poderia reduzir em cerca de 15% o lucro líquido de 2027.