Balneário Camboriú reduz casos de dengue em 98% em 2026
A cidade registrou 12 casos entre janeiro e setembro, ante 724 em 2025; a prefeitura também mantém ações de prevenção e vacinação contra a dengue.
Resumo em 30 segundos
Balneário Camboriú registrou 12 casos de dengue entre janeiro e setembro de 2026, queda de 98,35% em relação aos 724 casos de 2025. A prefeitura atribui a redução a várias ações, entre elas a liberação de mosquitos com Wolbachia, mas diz que ainda não é possível medir o impacto da estratégia. Não há mortes pela doença desde 2025.
Balneário Camboriú registrou 12 casos de dengue entre janeiro e setembro de 2026, segundo dados da prefeitura. O total representa queda de 98,35% em relação aos 724 casos contabilizados em 2025 e de 99,8% na comparação com 2024, quando a cidade teve 7.106 registros ao longo do ano. Desde 2025, o município não contabiliza mortes pela doença.
A redução veio após um período de epidemias que causaram 13 mortes entre 2023 e 2024. A prefeitura atribui a mudança a um conjunto de ações, que inclui o método Wolbachia, a compra de novos inseticidas, a capacitação de agentes e o trabalho de fiscalização de possíveis criadouros.
“Após enfrentarmos epidemias e mortes de dengue em 2023 e 2024, implementamos o método Wolbachia, fizemos aquisição de novos inseticidas, capacitação dos nossos agentes, ou seja, ofertamos as melhores ferramentas e condições de trabalho para nossa equipe, para que eles pudessem desempenhar suas funções com a maior eficiência possível”, afirmou David Cruz, diretor do Departamento de Vigilância Ambiental.
A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em cerca de 60% dos insetos, como abelhas e borboletas, e não causa danos às pessoas, segundo a Secretaria de Saúde. No Aedes aegypti, ela dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana. A bactéria pode ser transmitida aos descendentes quando os mosquitos se reproduzem.
O método consiste em soltar mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria. Ao cruzarem com os insetos locais, eles podem transmitir a Wolbachia às gerações seguintes, ampliando sua presença na população de mosquitos. A estratégia não modifica geneticamente os insetos nem a bactéria; uma vez estabelecida, a presença da Wolbachia pode se manter sem novas solturas.
Em Balneário Camboriú, as liberações começaram em agosto de 2025 e duraram seis meses, em quatro bairros. Foram feitas duas solturas por semana durante 26 semanas, totalizando 52 ações. A cidade foi escolhida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em articulação com o Ministério da Saúde e o World Mosquito Program. Os mosquitos usados, chamados de “Wolbitos”, são produzidos na biofábrica de Joinville.
Ainda não é possível dimensionar quanto a Wolbachia contribuiu para a redução dos casos. A Vigilância Ambiental prevê divulgar uma avaliação do impacto entre dois e três anos depois do fim das solturas. Até lá, a prefeitura mantém ações de prevenção e controle em diferentes frentes.
Agentes de combate a endemias vistoriem imóveis diariamente para procurar focos e orientar moradores. Em áreas com casos positivos, veículos aplicam inseticida de Ultra Baixo Volume (UBV), conhecido como fumacê. A prefeitura também atua com o setor de Fiscalização de Terrenos para identificar imóveis que representem risco e encaminhar medidas como notificação e limpeza.
A vacinação integra a estratégia municipal. De acordo com o balanço da Secretaria de Saúde, 3.045 crianças e adolescentes de 10 a 16 anos receberam a primeira dose da Qdenga. Desse grupo, 1.357 completaram o esquema com a segunda dose, aplicada três meses após a primeira.
A presença do mosquito, porém, ainda exige atenção. Nesta semana, uma operação da Vigilância Ambiental, da Secretaria de Obras e da Defesa Civil encontrou larvas de Aedes aegypti em um recipiente numa residência no bairro Praia dos Amores. A análise confirmou a espécie, e as equipes retiraram 12 caminhões de entulho do imóvel.
Segundo Cruz, a ação ocorreu para cumprir uma decisão judicial que determinou a limpeza da casa, com autorização do filho da moradora, responsável legal por ela. A Vigilância Ambiental afirma que a retirada de materiais acumulados ajuda a reduzir riscos sanitários e a evitar a proliferação do mosquito. A prefeitura busca manter a queda dos registros enquanto aguarda a avaliação do efeito da Wolbachia.
Para entender
- Wolbachia
- Bactéria encontrada naturalmente em várias espécies de insetos. Em mosquitos Aedes aegypti, pode dificultar o desenvolvimento de vírus como os da dengue, zika e chikungunya. O método de controle libera mosquitos que carregam a bactéria para que ela se espalhe entre gerações.