Aneel mantém bandeira tarifária verde na conta de luz em novembro
A decisão anunciada nesta sexta-feira prolonga a condição de outubro; não há cobrança extra, mas a bandeira verde não garante queda na fatura.
Resumo em 30 segundos
A Aneel manteve a bandeira tarifária verde para novembro, sem cobrança adicional pelo consumo de energia. A decisão reflete o aumento das chuvas em outubro no Sul e no Sudeste. Apesar do cenário favorável, a agência segue atenta ao El Niño e a fatores que podem pressionar os custos de energia.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária verde para novembro, sem cobrança adicional pelo consumo de energia. O anúncio foi feito nesta sexta-feira, 30, e prolonga a condição adotada em outubro, após cinco meses de bandeira amarela. A bandeira verde significa que não há acréscimo específico na conta por causa do sistema de bandeiras, mas não garante redução no valor final da fatura.
A decisão reflete condições mais favoráveis para a geração, associadas ao aumento das chuvas em outubro nas regiões Sul e Sudeste. A precipitação ajudou a estabilizar os reservatórios das hidrelétricas e permitiu reduzir o uso de usinas termelétricas, que têm custos mais altos de geração.
O sistema de bandeiras tarifárias, criado em 2015, sinaliza mensalmente os custos de produção de energia no país. Quando a geração fica mais cara, as bandeiras amarela e vermelha autorizam cobranças adicionais; na bandeira verde, não há esse valor extra. O total da conta ainda depende do consumo e das tarifas cobradas por cada distribuidora.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já projetava a bandeira verde para outubro em seus cinco cenários. A situação contrasta com a de outubro de 2025, quando o atraso no início do período úmido contribuiu para a adoção da bandeira vermelha patamar 1.
Apesar da continuidade da bandeira verde, o El Niño mantém a atenção sobre o sistema elétrico. O fenômeno pode modificar o regime de chuvas e elevar as temperaturas, o que tende a aumentar o consumo. Um cenário climático desfavorável também pode reduzir a disponibilidade de energia produzida na região Norte.
A previsão do setor citada para o fenômeno aponta 95% de probabilidade de impacto forte entre outubro e dezembro. Para lidar com possíveis dificuldades de navegação e abastecimento, geradores de sistemas isolados do Norte passaram a receber antecipadamente recursos da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), destinados ao estoque de combustível. Esses sistemas não estão conectados à rede elétrica nacional.
Em julho, o Ministério de Minas e Energia autorizou antecipar o início do suprimento de cinco contratos de leilões de reserva de capacidade. A medida busca acrescentar recursos ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A reserva de capacidade serve para reforçar a oferta de energia quando as condições de geração exigem apoio adicional.
A bandeira verde também não elimina fatores que podem pressionar os preços de energia. Entre eles estão o risco hidrológico, relacionado à disponibilidade de água para as hidrelétricas, e o Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), referência calculada para a energia a ser produzida em determinado período. A CCEE avalia cenários do setor, mas as condições de chuva e consumo nos próximos meses continuam relevantes para a evolução dos custos.