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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

Ygor Saviolli é condenado a 12 anos por lavagem de dinheiro nos EUA

O esquema movimentou mais de US$ 30 milhões e informações compartilhadas com autoridades brasileiras contribuíram para a Operação Exchange da PF.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Cédulas de dólar, um celular e documentos sobre uma mesa, em referência a uma investigação de lavagem de dinheiro. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Cédulas de dólar, um celular e documentos sobre uma mesa, em referência a uma investigação de lavagem de dinheiro.
Resumo em 30 segundos

Ygor Fokin Saviolli foi condenado nos Estados Unidos a 12 anos de prisão por atuar como gerente e supervisor de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas. A rede movimentou mais de US$ 30 milhões e operava em 12 cidades americanas. Informações do caso contribuíram para a Operação Exchange, da Polícia Federal.

Ygor Fokin Saviolli, brasileiro de 35 anos, foi condenado a 12 anos de prisão nos Estados Unidos por atuar como gerente e supervisor de um esquema de lavagem de dinheiro ligado a recursos do tráfico de drogas. A condenação ocorreu na última sexta-feira, segundo documentos judiciais, em um caso que também levou à Operação Exchange, da Polícia Federal, no Brasil.

O esquema movimentou mais de US$ 30 milhões, de acordo com as autoridades americanas. Saviolli admitiu participação no recebimento e na lavagem de dinheiro em espécie proveniente da venda de substâncias controladas e disse ter fornecido recursos antecipados para facilitar as operações. Na confissão, afirmou que o esquema funcionou de dezembro de 2022 a janeiro de 2025, quando o grupo foi alvo de autoridades dos Estados Unidos.

A investigação americana teve início após Saviolli ser detido, no começo de 2023, no Aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida. A análise do conteúdo de seu celular ajudou investigadores a identificar a operação. Informações compartilhadas com autoridades brasileiras contribuíram para a deflagração da Operação Exchange, conduzida pela Polícia Federal.

O grupo recrutava pessoas para viajar a diferentes cidades dos Estados Unidos, recolher dinheiro e depositá-lo em caixas eletrônicos. Os valores eram encaminhados a contas bancárias em Miami e em outras localidades, com a intenção de ocultar sua origem. As comunicações entre os participantes eram feitas por mensagens de WhatsApp, e a rede atuava em 12 cidades americanas.

Saviolli e Victor Henrique Shimada recrutavam e orientavam integrantes, segundo os documentos do processo. A dupla, Stella de Oliveira e Gabriel Menezes supervisionaram dezenas de coletas por meio de mensagens. Menezes organizava a logística, incluindo reservas de hotéis e compra de passagens, além de orientar os participantes sobre os recolhimentos.

Saviolli afirmou que mantinha contato regular com Shimada e recebia planilhas e documentos com datas, locais e valores das coletas. Entre agosto e outubro de 2023, ele facilitou a lavagem de mais de US$ 3,5 milhões. O mesmo valor foi atribuído a Menezes nesse período.

As confissões de outros brasileiros condenados detalham operações em diferentes regiões. Entre agosto e setembro, um participante recolheu mais de US$ 1,5 milhão em Chicago, Atlanta, Cleveland e Rochester; outro transportou US$ 867 mil. Também houve coletas em Minneapolis, Tampa, Charlotte e Greensboro. Em 24 de setembro, outros cinco acusados, quatro deles brasileiros, receberam condenações no mesmo caso.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, no início de julho, sanções econômicas contra Shimada e sua secretária, Stella de Oliveira, por conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo americano havia classificado a facção como organização terrorista em junho. As sanções contra Shimada foram as primeiras impostas pelos Estados Unidos a um brasileiro por vínculo com o PCC.

Há diferenças entre a justificativa pública das sanções e os documentos judiciais: o Tesouro descreveu Shimada como um elo com o PCC, mas os registros do processo na Flórida não mencionam organizações criminosas brasileiras. Eles apontam que o esquema beneficiava o mexicano Manuel Garcia-Urrea, conhecido como Manny, identificado como fornecedor de drogas. O Tesouro também afirmou que Shimada usava criptomoedas para transferir valores ao Brasil em benefício da facção.

Fontes: O Globo

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