PCC atua em 16 países da Europa em cenário de tráfico crescente
A Interpol identificou 149 redes criminosas de comunicação ligadas a organizações latino-americanas; as apreensões de cocaína na Europa subiram 471%.
Resumo em 30 segundos
O PCC tem operações em 16 países europeus, e o Comando Vermelho também aparece entre as facções latino-americanas com atuação no continente. Dados da Interpol apontam ligações entre organizações da região e redes criminosas de comunicação. Entre 2014 e 2024, as apreensões de cocaína na Europa cresceram 471%, sem que isso atribua toda a droga a grupos brasileiros.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) opera em 16 países da Europa, e o Comando Vermelho (CV), outra facção brasileira, também está entre os grupos latino-americanos com atuação no continente. O avanço dessas organizações coincide com o aumento de apreensões de cocaína na região: entre 2014 e 2024, o volume confiscado cresceu 471%.
Dados da Interpol, a organização internacional de cooperação policial, apontam que 149 das 731 redes criminosas de comunicação identificadas na Europa têm ligação com organizações latino-americanas. Dessas, 67 contam com integrantes latino-americanos, enquanto 22 são formadas principalmente por pessoas da América Latina. PCC e CV estão entre as facções citadas nesse cenário.
A presença em vários países permite que grupos criminosos ultrapassem fronteiras nacionais e se conectem a redes de tráfico e comunicação. A atuação do PCC na Europa foi descrita em uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, que apontou operações em 16 países. Os dados citados não detalham quais são esses países nem apresentam um número específico de integrantes da facção no continente.
O aumento das apreensões de cocaína indica a dimensão do tráfico na Europa, mas não significa, por si só, que toda a droga confiscada tenha sido enviada por facções brasileiras. A informação disponível relaciona o crescimento das apreensões ao contexto de expansão das redes criminosas, sem atribuir a elas a totalidade dos carregamentos.
No Brasil, a atuação das facções também se manifesta no controle de territórios e na entrada em atividades econômicas. O Comando Vermelho e milícias exercem domínio em áreas periféricas do Rio de Janeiro, enquanto o PCC é apontado como presente no mercado de valores e na compra de empresas.
O tema está em debate no Congresso, que se prepara para votar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre segurança pública. Entre as medidas defendidas no texto estão a prisão de integrantes de facções em presídios de segurança máxima, restrições à progressão de regime e a benefícios processuais, além do confisco de bens ligados a atividades criminosas.
A proposta também prevê responsabilizar pessoas jurídicas envolvidas em crimes e proteger denunciantes e familiares. A mudança constitucional ainda depende de votação no Congresso. A discussão reúne apoio de parlamentares de diferentes campos políticos, sobretudo em relação ao endurecimento das regras para integrantes de organizações criminosas.