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Terça-feira, 20 de outubro de 2026

BNDES pode reduzir participação na economia sob Flávio Bolsonaro

Analistas preveem mais espaço para o crédito privado; no primeiro semestre de 2026, o banco liberou R$ 75,6 bilhões em financiamentos.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Sede de um banco de desenvolvimento em meio a edifícios e obras urbanas. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Sede de um banco de desenvolvimento em meio a edifícios e obras urbanas.
Resumo em 30 segundos

Analistas avaliam que um eventual governo de Flávio Bolsonaro reduziria a atuação do BNDES e abriria mais espaço para o crédito privado. No terceiro governo Lula, os desembolsos do banco cresceram e chegaram a R$ 75,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. O plano de Flávio prevê usar a instituição em algumas frentes.

Analistas de economia projetam que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) teria participação menor no financiamento da atividade econômica caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial. A expectativa é de que um eventual governo do senador adote uma orientação mais liberal, com maior espaço para o crédito privado. O segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está marcado para 25 de outubro.

A previsão contrasta com a expansão das operações do banco durante o terceiro governo Lula. No primeiro semestre de 2026, o BNDES liberou R$ 75,6 bilhões em crédito, em valores corrigidos pela inflação, alta de 31,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Foi o maior volume para os primeiros seis meses do ano desde 2015, quando os desembolsos chegaram a R$ 124,3 bilhões.

A economista Juliana Inhasz, professora do Insper, avalia que o banco continuaria sendo usado em uma eventual gestão de Flávio, mas em escala menor. Para ela, a proposta seria estimular que mais recursos para empresas e projetos viessem do próprio mercado, e não de instituições públicas.

Na gestão atual, o BNDES ampliou o apoio a iniciativas federais, entre elas o programa Nova Indústria Brasil, e a projetos ligados à transformação da matriz energética. A instituição também retomou a compra de participações em empresas por meio da subsidiária BNDESPar. No acumulado de 12 meses até junho, os desembolsos equivaleram a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), proporção que cresceu desde 2023, mas permanece abaixo dos patamares registrados em governos anteriores do PT, quando superou 4% em 2009 e 2010.

O economista Sergio Vale, da consultoria MB Associados, prevê que o banco poderia voltar a um modelo semelhante ao observado nos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), pai do senador. Naquele período, as operações de crédito foram reduzidas, enquanto a instituição concentrou esforços na estruturação de projetos de infraestrutura e privatizações.

Vale afirma que, em um governo de Flávio, o BNDES poderia priorizar projetos com benefícios sociais relevantes que não atraíssem bancos privados. Uma atuação menor dos bancos públicos também teria como objetivo evitar pressão sobre a inflação decorrente da expansão do crédito e favorecer uma redução dos juros para o conjunto do mercado, segundo o economista.

Gilberto Braga, professor do Ibmec no Rio, diz que os planos econômicos dos candidatos ainda não estão detalhados, mas considera provável que uma vitória de Flávio reduza a participação estatal na economia, com reflexos sobre o BNDES. O plano de governo do senador prevê apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas por meio do banco e financiamento de obras no país.

O programa de Lula não cita diretamente o BNDES. Apresenta como objetivos o crescimento econômico, o aumento da taxa de investimento e o incentivo a aportes privados na indústria, com foco em inovação. Braga avalia que, se Lula for reeleito, a instituição deve manter a orientação iniciada em 2023, com apoio à reindustrialização, à inovação tecnológica, à digitalização, à competitividade e a projetos de infraestrutura, como logística, ferrovias e mobilidade urbana.

O banco é presidido desde 2023 por Aloizio Mercadante, ex-ministro e dirigente histórico do PT. A atual administração define o BNDES como complementar ao mercado, não como substituto, e defende o financiamento de projetos considerados estratégicos, inclusive em áreas de maior risco, como inovação e transição energética.

No balanço do primeiro semestre, divulgado em agosto, o BNDES informou inadimplência de 0,05%. O índice ficou abaixo das médias do Sistema Financeiro Nacional no período: 4,68% no conjunto das operações e 0,66% entre grandes companhias. A instituição também registrou lucro.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo

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