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Domingo, 18 de outubro de 2026

Juros da dívida pública dos EUA batem recorde de US$ 1,05 trilhão

O valor corresponde a 3,2% do PIB e supera em mais de 8% a despesa do ano fiscal anterior, em meio à alta da dívida e das taxas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Prédio do Tesouro dos Estados Unidos em Washington sob céu nublado, com documentos financeiros desfocados em primeiro plano. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Prédio do Tesouro dos Estados Unidos em Washington sob céu nublado, com documentos financeiros desfocados em primeiro plano.
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Os Estados Unidos pagaram US$ 1,05 trilhão em juros líquidos da dívida pública nos 12 meses encerrados em setembro, recorde para um ano fiscal. A despesa equivale a 3,2% do PIB e mais que dobrou desde 2022. Embora os custos aumentem a pressão sobre as contas públicas, os indicadores não apontam para uma crise imediata.

Os Estados Unidos pagaram US$ 1,05 trilhão em juros líquidos da dívida pública no período de 12 meses encerrado em setembro, recorde para um ano fiscal, segundo dados divulgados na sexta-feira (16) pelo Departamento do Tesouro. O valor supera em mais de 8% os US$ 970 bilhões registrados no ano fiscal de 2025 e equivale a 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com estimativa da Peter G. Peterson Foundation.

A alta reflete a combinação de uma dívida maior e de taxas de juros mais elevadas. Uma das principais medidas do endividamento federal ultrapassa US$ 32 trilhões, cerca de US$ 10 trilhões acima do nível de cinco anos atrás. No fim de setembro, o governo pagava, em média, 3,52% pelos títulos negociáveis do Tesouro, mais que o dobro dos 1,47% registrados cinco anos antes.

Os juros da dívida pública são os pagamentos feitos pelo governo a quem compra seus títulos para financiar as despesas federais. Quando o custo de financiamento cresce, uma parcela maior do orçamento precisa ser destinada ao serviço da dívida, reduzindo a margem para outras políticas públicas ou exigindo mais arrecadação e novos empréstimos.

A despesa líquida com juros está entre os três maiores gastos federais, atrás apenas da Previdência Social e do Medicare, programa de saúde voltado a idosos. Defesa e Medicaid, programa de assistência médica, completam os cinco maiores itens. Os pagamentos de juros mais que dobraram desde 2022.

Apesar da alta, os indicadores citados não apontam para uma crise imediata de financiamento. A demanda nos leilões de títulos do Tesouro segue sólida, e o custo maior ainda não restringiu o fluxo de crédito. Os rendimentos dos títulos, porém, estão mais altos: o indicador de títulos do Tesouro dos Estados Unidos da Bloomberg está em torno de 5%.

Louise Sheiner, pesquisadora sênior da Brookings Institution e ex-economista do Federal Reserve (Fed), afirmou que o quadro se parece mais com uma erosão gradual da capacidade fiscal do que com uma crise. Ela alertou que uma ruptura poderia ocorrer se credores deixassem de emprestar ao governo, o que dificultaria a captação de recursos pelo Tesouro.

Gennadiy Goldberg, chefe de estratégia para juros dos Estados Unidos da TD Securities, apontou que o crescimento nominal da economia ainda supera os rendimentos dos títulos, um fator que ajuda a conter preocupações. O PIB nominal cresceu 6,3% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado do último trimestre será divulgado ainda neste mês.

Phillip Swagel, diretor do Escritório de Orçamento do Congresso, disse em 8 de outubro, em Minneapolis, que o governo ainda consegue administrar a situação, mas que a piora das contas deixa o país mais vulnerável. Um choque que eleve os juros pode aumentar o déficit, ampliar a dívida e pressionar ainda mais as taxas, num ciclo que também pode afetar a economia.

O escritório projetou, em fevereiro, que a relação entre a dívida e o PIB ultrapassará 106% em 2030, atingindo um recorde. A relação dívida/PIB compara o total da dívida pública com o valor da produção anual do país e ajuda a dimensionar o peso do endividamento em relação à economia. A estimativa é uma projeção, não um resultado já observado.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, adotou medidas extraordinárias para conter a alta dos juros e tem defendido que o avanço da inteligência artificial pode impulsionar o crescimento e ajudar a reduzir a relação dívida/PIB. Especialistas em orçamento, porém, duvidam que esse crescimento seja suficiente para compensar a expansão prevista dos gastos com defesa e benefícios sociais.

O aumento dos juros também pode elevar rapidamente a conta do governo. Uma alta de um ponto percentual em toda a curva de rendimentos acrescentaria US$ 310 bilhões aos custos com juros em 2027, segundo cálculo da TD Securities. A estimativa ocorre enquanto o Fed mantém a taxa básica de curto prazo entre 3,75% e 4%; a matéria aponta expectativa de ao menos mais uma elevação, que encareceria especialmente a dívida de curto prazo.

A situação atual difere do período em que os juros da dívida se aproximaram de níveis semelhantes, no início dos anos 1990. Naquela época, o governo elevou impostos, e a redução dos gastos de defesa após o fim da Guerra Fria ajudou as contas. No fim da década, o crescimento ligado à expansão da internet e da computação pessoal também favoreceu a arrecadação. Economistas citados avaliam que, agora, a dívida elevada torna os pagamentos de juros mais relevantes e pode aumentar a pressão por medidas fiscais.

Fontes: Folha de S.Paulo

Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir de informações públicas, com checagens automáticas de fatos e de originalidade. Encontrou um erro? Avise-nos.

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