XP reduz recomendação para ações mesmo com Ibovespa a 200 mil
A corretora prevê alta potencial de 19% até o fim de 2027, mas considera que o retorno projetado não supera de forma significativa o da renda fixa.
Resumo em 30 segundos
A XP mudou de compra para neutra sua recomendação para as ações brasileiras, embora projete o Ibovespa em 200 mil pontos no fim de 2027. A corretora cita inflação e juros em alta, risco de revisão dos lucros e desaceleração econômica. Também atualizou as ações de suas carteiras recomendadas.
A XP Investimentos reduziu de compra para neutra sua recomendação para ações brasileiras, apesar de projetar que o Ibovespa chegue a 200 mil pontos no fim de 2027. A estimativa representa uma valorização potencial de 19%, mas, na avaliação da corretora, o retorno não supera de forma significativa o oferecido pela renda fixa local.
A equipe liderada por Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, também apontou riscos para a bolsa: inflação e juros em alta, possível revisão para baixo das projeções de lucro das empresas em 2027 e desaceleração da atividade econômica. A combinação desses fatores levou a instituição a adotar uma postura mais cautelosa em relação às ações.
Após a queda recente, o mercado brasileiro passou a ser negociado a 8,2 vezes o lucro projetado, conforme o múltiplo preço sobre lucro (P/L). O indicador compara o preço de uma ação com o lucro esperado por empresa e é usado para avaliar quanto os investidores pagam por esse resultado. O nível atual ainda é superior ao menor patamar observado em 2025, de 7 vezes.
O prêmio de risco do Ibovespa subiu para 4,5%, mas continua abaixo da média histórica de 5,3%. Esse indicador compara o retorno esperado das ações com o de títulos de renda fixa; em geral, um prêmio maior torna a bolsa relativamente mais atraente para investidores.
O Índice de Sentimento XP marcou 18 pontos em uma escala de 100, faixa considerada pessimista pela corretora. A equipe afirmou, porém, que o indicador ainda não sinaliza um momento de compra. Entre as ações de empresas consideradas de alta qualidade que caíram bastante, citou Sabesp, Rede D’Or, Totvs, Itaú Unibanco e Cury.
A XP mantém preferência por companhias de alta qualidade, boas pagadoras de dividendos e exportadoras, e diz evitar empresas muito endividadas. Na carteira Top Ações, incluiu WEG, JBS e Caixa Seguridade, aumentou a exposição à Rede D’Or e reduziu a participação de Iguatemi. BTG Pactual e Nu Holdings foram retiradas.
Na carteira de dividendos, a corretora elevou a participação de Caixa Seguridade e diminuiu a de B3. Já na carteira de small caps — empresas de menor valor de mercado — entraram São Martinho e Vitru Educação, e a exposição à Alupar aumentou. Vivara, Cogna e LWSA deixaram a seleção.