Vale registra queda de 53% no lucro no terceiro trimestre de 2026
A receita líquida subiu 2%, para US$ 10,599 bilhões, mas custos extras, perda contábil e preços menores do minério pressionaram o balanço da mineradora.
Resumo em 30 segundos
A Vale teve lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, recuo anual de 53%. A receita avançou 2%, mas a desvalorização de ativos, os custos relacionados a Brumadinho e barragens e a queda dos preços do minério pesaram no resultado. Analistas divergem sobre as perspectivas para as ações.
A Vale registrou lucro líquido de US$ 1,255 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 53% em relação ao mesmo período de 2025. O balanço, divulgado na noite de quinta-feira (29), após o fechamento do pregão, também mostrou aumento da receita, mas custos adicionais e a desvalorização do minério de ferro reduziram o resultado.
A receita líquida chegou a US$ 10,599 bilhões, alta de 2% na comparação anual e de 1% ante o trimestre anterior. O lucro atribuível aos acionistas recuou 9% em relação ao segundo trimestre. A Genial Investimentos avaliou que o resultado ficou 18,7% abaixo de suas estimativas.
Entre os fatores que pressionaram o desempenho estão uma perda contábil de US$ 242 milhões pela desvalorização de ativos e US$ 111 milhões a mais em custos relacionados a Brumadinho e barragens. A perda contábil, também chamada de impairment, reduz o valor registrado de um ativo quando a empresa avalia que ele vale menos do que antes.
O preço do minério também pesou sobre as contas. Nesta sexta-feira (30), o contrato mais negociado na bolsa chinesa Dalian Commodity Exchange, com vencimento em janeiro de 2027, caiu 1,18%, para 672 yuans por tonelada, equivalentes a US$ 100,87.
Na divisão de Soluções em Minério de Ferro, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 14% frente ao segundo trimestre, para US$ 2,6 bilhões. O Itaú BBA apontou que o avanço de 8% nos volumes vendidos e a redução dos custos de extração foram superados pelo recuo de 10% nos preços realizados do minério fino e pelo aumento das despesas com frete. Ebitda é uma medida do resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.
A pressão pode continuar no quarto trimestre. O Safra informou que o preço à vista do minério estava 6% abaixo da média de julho a setembro, mas citou a possibilidade de redução dos custos operacionais com a desvalorização do real e de aumento da produção como fatores de compensação.
Na divisão de Metais Básicos, a perspectiva é de melhora com a recuperação dos volumes vendidos e a alta do cobre. A cotação à vista do metal estava 2% acima da média do terceiro trimestre. A produção também pode se beneficiar da retomada após a manutenção da planta SAG de Sossego, que custou US$ 40 milhões no período. Para o níquel, a expectativa é menos favorável: o preço à vista estava 6% abaixo da média trimestral.
As avaliações sobre as ações da Vale (VALE3) variam entre as instituições. O Safra manteve recomendação neutra e preço-alvo de US$ 17,10, sem considerar dividendos extraordinários no momento, embora espere recompras de ações. A Genial recomendou manter os papéis e fixou preço-alvo de R$ 78,50, potencial de alta de 30,72%. Já o Itaú BBA manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 94 e potencial de valorização de 56%. Esses preços-alvo são estimativas dos analistas, não garantias de retorno.