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Quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Vale deve ter queda de 40% no lucro do terceiro trimestre

A média das projeções de bancos e corretoras aponta lucro líquido de US$ 1,607 bilhão; a mineradora divulga o balanço nesta quinta-feira, 29 de outubro.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Vista de uma mina de minério de ferro com bancadas escavadas e equipamentos de transporte. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Vista de uma mina de minério de ferro com bancadas escavadas e equipamentos de transporte.
Resumo em 30 segundos

Bancos e corretoras estimam que a Vale terá lucro líquido de US$ 1,607 bilhão no terceiro trimestre de 2026, queda de 40,1% em um ano. As projeções também indicam recuo na receita e no Ebitda, pressionados por preços menores do minério de ferro e do níquel e vendas de cobre abaixo do esperado.

A Vale deve divulgar na quinta-feira (29), após o fechamento do mercado, os resultados do terceiro trimestre de 2026. Projeções de bancos e corretoras apontam lucro líquido médio de US$ 1,607 bilhão, uma queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2025, pressionado principalmente pelos preços mais baixos do minério de ferro e do níquel e por vendas de cobre abaixo do esperado.

As estimativas também indicam recuo na receita e no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), indicador usado para avaliar o desempenho operacional antes de despesas financeiras, impostos e itens contábeis como depreciação. A média projetada para a receita líquida é de US$ 10,345 bilhões, 0,72% abaixo da registrada um ano antes. Para o Ebitda, a previsão média é de US$ 3,5 bilhões, queda de 20,4% na comparação anual.

As projeções para o lucro líquido variam de US$ 1,087 bilhão, estimado pelo Itaú BBA, a US$ 2,428 bilhões, do BTG Pactual. Para a receita, as previsões vão de US$ 10,06 bilhões a US$ 10,549 bilhões, respectivamente. Já o Ebitda estimado pelas casas analisadas varia de US$ 3,390 bilhões, na projeção do Citi, a US$ 3,581 bilhões, na do BTG.

A Vale também passará a divulgar os dados de produção junto com o balanço financeiro. A empresa afirma que a mudança busca apresentar uma visão mais integrada dos resultados operacionais e financeiros. As estimativas dos analistas consideram preços realizados — os valores efetivamente obtidos nas vendas —, volumes comercializados e custos de produção e transporte.

No minério de ferro, o preço realizado mais baixo e os custos maiores de frete devem limitar o efeito de vendas que podem superar as do segundo trimestre. O Itaú BBA estima vendas de 82,7 milhões de toneladas, alta de 3,7% ante o trimestre anterior, mas recuo de 3,83% em relação ao terceiro trimestre de 2025, quando foram 85,997 milhões de toneladas.

O banco calcula que o preço médio realizado dos finos de minério fique em US$ 88 por tonelada, abaixo dos US$ 95 do segundo trimestre e dos US$ 94,4 registrados no mesmo trimestre do ano passado. Finos são partículas de minério separadas e comercializadas para uso na produção de aço. Segundo os analistas do Itaú BBA, problemas operacionais no Sistema Norte também podem reduzir os volumes e enfraquecer a composição de qualidade do minério vendido.

O UBS BB prevê preço realizado de US$ 88,2 por tonelada e vendas de 83 milhões de toneladas. O banco espera que os negócios de ferrosos sejam afetados pela combinação de volumes menores, preços mais fracos e custo total relativamente estável, estimado em cerca de US$ 65 por tonelada, ante US$ 61,6 no trimestre anterior.

O Citi projeta produção de 89 milhões de toneladas de minério de ferro no trimestre, 5,72% abaixo do volume de um ano antes. A estimativa anual do banco para 2026 está no limite inferior da faixa de 335 milhões a 345 milhões de toneladas indicada pela Vale, o que, segundo a análise, exigiria recuperação da produção no quarto trimestre.

Na Vale Base Metals (VBM), divisão de metais básicos da companhia, os resultados também devem refletir efeitos distintos entre cobre e níquel. O Itaú BBA prevê vendas de 88 mil toneladas de cobre, queda de 2,22% na comparação anual e de 9,83% ante o trimestre anterior. Para o níquel, estima 48 mil toneladas vendidas, aumento de 11,88% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e de 8,1% frente ao segundo trimestre.

O Itaú BBA calcula Ebitda de US$ 1,04 bilhão para a VBM, 19,3% abaixo do resultado do segundo trimestre. Os analistas avaliam que preços mais altos do cobre não devem compensar totalmente o menor volume e os custos relacionados à parada da mina de Sossego. No níquel, preços mais baixos e despesas maiores com manutenção também pesariam.

O UBS BB estima Ebitda de aproximadamente US$ 900 milhões para a divisão, com menor volume de cobre e manutenção programada em Sossego e em operações de níquel no Canadá. Ganhos menores com subprodutos, como ouro, cobalto, paládio e platina, também devem afetar o resultado, embora preços mais altos do cobre possam compensar parte da pressão. O Citi prevê Ebitda próximo de US$ 1 bilhão para a VBM, com preços do cobre compensando a manutenção planejada, enquanto o resultado do níquel deve se aproximar do ponto de equilíbrio.

A Ativa Corretora projeta Ebitda consolidado de US$ 3,557 bilhões, queda de 19% ante o terceiro trimestre de 2025. A casa estima preço realizado de US$ 88,5 por tonelada de minério, recuo anual de 6,25%, apesar de prever aumento de 6% nas vendas. Também calcula custo caixa C1 de US$ 23,6 por tonelada, acima do intervalo de US$ 22,5 a US$ 23,5 por tonelada indicado pela Vale.

Fontes: Valor Econômico

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