Usiminas mira produtos de maior valor agregado em 2027
Marcelo Chara também aponta importações elevadas de aço e prevê pressão sobre as margens, apesar da expectativa de estabilidade no quarto trimestre.
Resumo em 30 segundos
A Usiminas pretende concentrar sua atuação em 2027 em produtos de maior valor agregado e segmentos mais rentáveis. O presidente Marcelo Chara prevê estabilidade no quarto trimestre, mas aponta pressão sobre as margens por causa dos custos de matérias-primas, insumos e energia. Ele também defende medidas contra importações de aço.
O presidente da Usiminas, Marcelo Chara, afirmou que a companhia pretende concentrar sua atuação em 2027 em produtos de maior valor agregado e em segmentos mais rentáveis. A declaração foi feita ao comentar as perspectivas para o mercado de aço no Brasil, marcado, segundo ele, por importações elevadas e pressão sobre os custos.
Produtos de maior valor agregado são itens que passam por mais etapas de processamento ou têm características específicas que podem ampliar seu preço e sua margem. Para a Usiminas, Chara disse que a estratégia é direcionar as vendas a segmentos com maior contribuição e buscar recompor custos nas negociações comerciais.
A empresa prevê estabilidade no quarto trimestre. A desaceleração sazonal do mercado interno deve ser compensada por exportações maiores, mas a companhia espera pressão sobre as margens devido à alta dos preços de matérias-primas, insumos e energia. Chara também afirmou que férias coletivas e fatores sazonais limitam a possibilidade de elevar os preços do aço.
Com a expectativa de redução dos embarques, a Usiminas pretende preservar reservas minerais e diminuir custos, disse o executivo. Ele acrescentou que tensões geopolíticas, a volatilidade dos mercados e os custos elevados de energia tornam mais incertas as perspectivas econômicas para os próximos trimestres.
Chara apontou as importações de aço a preços que considera desleais como um dos fatores de desequilíbrio no mercado brasileiro. A taxa de penetração das importações chegou a 18,5% nos primeiros nove meses do ano. Segundo estimativa do Instituto Aço Brasil citada pelo executivo, as entradas diretas e indiretas de aço devem somar 12 milhões de toneladas no país neste ano, o equivalente a cerca de 57% do consumo aparente nacional.
A importação indireta ocorre quando o aço entra no país incorporado a produtos manufaturados, como automóveis e geladeiras. Chara também mencionou o crescimento das compras de veículos: dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o Brasil importou 255 mil unidades de janeiro a setembro, mais que o dobro do registrado no mesmo intervalo de 2025.
O presidente da Usiminas disse que medidas do governo reduziram as importações de aço em relação a 2025, mas que o volume ainda supera a média histórica. Segundo ele, a queda das compras de produtos chineses foi parcialmente compensada por mais importações de países como Coreia do Sul e Egito.
Chara defendeu novas medidas antidumping — instrumentos comerciais usados para combater importações vendidas a preços considerados injustamente baixos — e pediu a conclusão da investigação sobre aço laminado a quente. Ele afirmou esperar avanços na definição de medidas na semana seguinte e também defendeu fiscalização das regras já adotadas. O executivo citou ainda a reforma tributária e a redução dos custos de energia como iniciativas importantes para a competitividade industrial.