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Sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Siderúrgicas brasileiras veem espaço para ampliar produção de aço

Consumo per capita no Brasil foi de 122,5 quilos em 2025, abaixo da média mundial; setor cobra defesa comercial contra importações subsidiadas.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bobinas de aço sendo produzidas em uma usina siderúrgica brasileira. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bobinas de aço sendo produzidas em uma usina siderúrgica brasileira.
Resumo em 30 segundos

O consumo per capita de aço no Brasil chegou a 122,5 quilos em 2025, abaixo da média mundial de 209 quilos. Siderúrgicas afirmam que há espaço para ampliar a produção e que o mercado poderia dobrar, mas defendem medidas mais rápidas contra importações subsidiadas. Investimentos recentes incluem projetos da ArcelorMittal, Gerdau e Usiminas.

As siderúrgicas brasileiras veem espaço para ampliar a produção diante do baixo consumo de aço no país, mas afirmam que o crescimento depende de medidas de defesa comercial contra importações subsidiadas, sobretudo da China. Em 2025, o consumo per capita brasileiro de produtos de aço foi de 122,5 quilos, segundo dados citados pelo Instituto Aço Brasil. O setor também relata aumento de investimentos e planos para modernizar fábricas e desenvolver produtos de maior valor agregado.

O consumo brasileiro por habitante ficou abaixo da média mundial, de 209 quilos, e do registrado na China, de 562,1 quilos. O aço é usado na construção civil, em veículos, máquinas, embalagens e obras de infraestrutura, e sua demanda costuma acompanhar a atividade econômica e o grau de industrialização de um país.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil, afirmou que países com crescimento econômico consistente ampliaram a indústria e a demanda por aço. Para ele, o Brasil tem conhecimento técnico e estrutura produtiva para avançar nessa direção. Executivos do setor avaliam que o mercado poderia dobrar de tamanho nos próximos anos, desde que haja condições para competir com o aço importado.

As empresas dizem que têm mantido investimentos mesmo diante da concorrência externa. Entre 2020 e 2025, o aporte anual do setor mais do que triplicou, chegando a R$ 11,8 bilhões. A ArcelorMittal concluiu neste ano um ciclo de R$ 25 bilhões iniciado em 2022, que incluiu aquisições, modernização e expansão de unidades, além de investimentos em energia renovável.

Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, disse que a companhia seguirá direcionando esforços a produtos acabados e de maior valor agregado. A estratégia busca ampliar o portfólio e o atendimento ao mercado brasileiro, além de reduzir a exposição a mercados considerados menos atrativos. O executivo relaciona a oportunidade de crescimento à necessidade de construir infraestrutura, moradias e sistemas de energia e transporte.

Em agosto, a ArcelorMittal anunciou um investimento de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões na unidade de Tubarão, em Serra, no Espírito Santo. A expansão permitirá produzir 560 mil toneladas anuais de bobinas revestidas, voltadas principalmente à indústria automotiva. A empresa também planeja uma nova linha de bobinas de aço laminado a quente na unidade do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará.

Oliveira afirmou que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos levaram a companhia a redirecionar produtos semiacabados de Tubarão e Pecém para a Europa, onde abastecem laminadoras do grupo. Já a Gerdau, que obtém mais de 70% de seu resultado operacional nos Estados Unidos, anunciou investimentos de R$ 4,7 bilhões no Brasil neste ano. Desse total, R$ 3,2 bilhões vão para ampliar a capacidade de mineração em Miguel Burnier, em Minas Gerais.

A Gerdau também está revendo sua estrutura para substituir operações antigas ou menos rentáveis por unidades mais modernas. Na unidade Açonorte, em Recife, a empresa encerrou etapas de produção da aciaria e da laminação. A companhia pretende direcionar ativos a áreas de expansão, entre elas datacenters e energia renovável. O CEO Gustavo Werneck afirmou que a prioridade da indústria em 2027 será elevar a competitividade, controlar custos e desenvolver produtos alinhados às necessidades dos clientes.

A Aperam, por sua vez, destaca o uso de soluções que associam aço e sustentabilidade. Seu CEO, Rodrigo Villela, citou o aço inoxidável em betoneiras, por ser mais durável e deixar os caminhões mais leves, reduzindo o consumo de combustível. Segundo ele, a produção da empresa se baseia em carvão vegetal de florestas renováveis e tem balanço de emissões neutro em carbono, além de certificação Responsible Steel.

A companhia destinou cerca de 90% do aço produzido em Timóteo, em Minas Gerais, ao mercado interno. Entre as iniciativas mencionadas estão o reaproveitamento de finos de minério e carvão no projeto Ecofinos e o desenvolvimento de Biochar, co-produto utilizado para sequestro de carbono em áreas florestais. A Usiminas também investe em eficiência: iniciou a reconstrução de uma bateria da coqueria de Ipatinga, em Minas Gerais, com aporte de R$ 1,7 bilhão.

Executivos do setor afirmam que as importações de aço subsidiado pressionam a indústria local e pedem mecanismos de defesa comercial mais rápidos. Marcelo Chara, CEO da Usiminas, disse que produtos como carros, máquinas e equipamentos fabricados com aço subsidiado também chegam ao país. Oliveira afirmou que material excedente pode ser desviado para mercados com proteção considerada insuficiente, inclusive por rotas que passam por Vietnã, Indonésia, Egito e Malásia.

Segundo Oliveira, Estados Unidos, China, México, Canadá, Índia e União Europeia adotam tarifas de até 50% para aço importado. No Brasil, a taxa de 25% alcança um grupo restrito de produtos, enquanto a maioria está sujeita a tarifas de 10% a 12%, de acordo com o executivo. A discussão sobre proteção comercial envolve o equilíbrio entre conter práticas consideradas desleais e manter a oferta de aço para os setores que utilizam o material.

Para entender

Instituto Aço Brasil
Entidade que representa empresas do setor siderúrgico brasileiro. Entre suas atividades estão a divulgação de dados sobre a indústria do aço e a interlocução com o poder público em temas relacionados ao setor.
Defesa comercial
Conjunto de medidas que governos podem adotar para responder a práticas de comércio consideradas desleais, como subsídios que favoreçam produtos importados. As medidas podem incluir tarifas e dependem das regras aplicáveis e da avaliação de cada caso.

Fontes: Valor Econômico

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