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Sábado, 31 de outubro de 2026

UniCesumar pune estudantes após ataques a bolsistas

Na FAG, em Cascavel, três alunos foram suspensos e outros advertidos; a Aemed-PR registrou notícia-crime no Ministério Público do Paraná.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Estudantes caminham em um campus universitário no Paraná. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Estudantes caminham em um campus universitário no Paraná.
Resumo em 30 segundos

A UniCesumar aplicou advertências, suspensões e desligamentos a estudantes de medicina após uma sindicância sobre mensagens ofensivas a bolsistas. Em Cascavel, três alunos da FAG foram suspensos e outros advertidos, mas os processos administrativos continuam. A Aemed-PR registrou notícia-crime e entidades repudiaram as mensagens, que incluíam referências racistas e extremistas.

Estudantes de medicina da UniCesumar, em Maringá, no Paraná, receberam advertências, suspensões e desligamentos após uma sindicância interna sobre mensagens ofensivas dirigidas a bolsistas e publicadas depois do resultado das eleições de domingo (25). A instituição anunciou as medidas na sexta-feira (30), sem informar quantos alunos foram punidos ou divulgar seus nomes. Mensagens semelhantes circularam entre estudantes do Centro Universitário FAG, em Cascavel, onde três universitários foram suspensos e outros receberam advertências; os processos administrativos continuam em andamento.

As mensagens foram compartilhadas em grupos de WhatsApp e atacavam estudantes por sua condição socioeconômica e por ingressarem na universidade com bolsas. Algumas também continham referências ao nazismo, racismo e violência sexual. A Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (Aemed-PR) reuniu relatos e registrou uma notícia-crime no Ministério Público do Paraná.

Entre as mensagens compiladas pela associação, uma dizia: “Pai dos pobres vai cuidar de vocês, fiquem tranquilos, pobrinhos. A gente está tranquilo e tem 15k por mês com sobras”. Outra afirmava que os autores tinham famílias com dinheiro e não precisavam de um “ex-presidiário” para pagar a faculdade. Uma terceira mencionava o Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo em instituições privadas.

Também foi compartilhada uma imagem de um pelotão da antiga Alemanha Oriental, acompanhada de texto com a expressão “raw milk”, ou leite cru. A associação apontou que a combinação seria uma referência a ideias supremacistas. Em outra mensagem atribuída a um estudante da FAG, o autor dizia apoiar invasões a casas e estupros contra eleitores do PT e afirmava que forneceria endereços. Um comentário racista fazia referência a um bloco da universidade.

A Aemed-PR pediu o desligamento de estudantes nos casos em que, segundo a entidade, houvesse confirmação de crime e cobrou sanções proporcionais para as demais condutas. Sérgio Robassa, diretor de relações externas da associação, afirmou que a ética médica exige empatia e disse que a entidade recebeu os episódios com indignação. Em nota, a Aemed-PR criticou a suspensão dos envolvidos na FAG e afirmou que as mensagens não se limitavam a divergências políticas.

A associação também declarou que o preconceito contra estudantes atendidos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e pelo Prouni, assim como a defesa de ideologias extremistas, é incompatível com a formação acadêmica. O Fies financia cursos superiores em instituições privadas; o Prouni concede bolsas integrais ou parciais.

A UniCesumar informou que a comissão de sindicância recomendou medidas disciplinares e que a reitoria as aplicou conforme o regimento interno e a gravidade das condutas apuradas. A universidade não detalhou quais punições foram destinadas a cada envolvido. Na FAG, a instituição informou que os processos administrativos ainda estão em curso.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná repudiou as mensagens e afirmou que atitudes discriminatórias contrariam os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina. O órgão disse que acompanhará os desdobramentos e tomará as providências cabíveis dentro de suas atribuições. Entidades estudantis da UniCesumar também repudiaram os comentários e anunciaram o desligamento dos envolvidos de seus quadros; o Centro Acadêmico Miguel Nicolelis ofereceu apoio psicoterapêutico gratuito ou a custo reduzido a estudantes afetados.

Fontes: Folha de S.Paulo

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