MEC estuda volta do Ciência Sem Fronteiras com foco em IA
O plano ainda não tem orçamento nem número de bolsas definidos e pode incluir alunos do ensino médio, além de estudantes de graduação e pós-graduação.
Resumo em 30 segundos
O Ministério da Educação estuda recriar o Ciência Sem Fronteiras, encerrado em 2017. A proposta priorizaria áreas como inteligência artificial, matemática e engenharias e poderia incluir alunos do ensino médio. Ainda não há definição sobre orçamento, número de bolsas ou início da seleção. O programa original concedeu 104 mil bolsas entre 2011 e 2017.
O Ministério da Educação (MEC) estuda recriar o Ciência Sem Fronteiras, programa federal de intercâmbio acadêmico encerrado em 2017. A proposta, ainda sem orçamento ou número de bolsas definidos, priorizaria áreas como inteligência artificial (IA), matemática e engenharias e poderia incluir estudantes do ensino médio.
O novo desenho também prevê bolsas para alunos de graduação em intercâmbio do tipo sanduíche — quando parte do curso é feita no Brasil e parte no exterior — em engenharia, matemática aplicada, IA e eficiência energética. Para o ensino médio, a ideia é apoiar vencedores de olimpíadas nacionais do conhecimento em etapas internacionais das competições.
Na pós-graduação, o plano em estudo alcançaria estudantes e pesquisadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado, em modalidades sanduíche ligadas a defesa, soberania, minerais críticos e terras raras. Ainda não há decisão sobre quando começaria a seleção; a possibilidade de abertura já no ano que vem não está definida.
A retomada foi prometida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral. Ele afirmou que quer enviar estudantes ao exterior para se especializarem em temas importantes para o país, com o objetivo de fortalecer a produção acadêmica brasileira.
Criado em 2011, durante o governo Dilma Rousseff, o Ciência Sem Fronteiras buscava ampliar a mobilidade internacional de estudantes e pesquisadores. A meta inicial era conceder 101 mil bolsas até 2014, mas 104 mil pessoas da graduação e da pós-graduação foram contempladas entre 2011 e 2017. O programa atendia áreas consideradas prioritárias, entre elas engenharia, tecnologia da informação, ciências exatas e ciências biomédicas.
A gestão era dividida entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O governo também criou o Inglês sem Fronteiras, iniciativa complementar voltada a preparar estudantes para os níveis de proficiência exigidos por universidades estrangeiras.
O programa deixou de funcionar em 2017, após críticas sobre o custo e a falta de diretrizes claras para definir os estudantes financiados. A gestão do então presidente Michel Temer também apontou a deficiência de inglês entre brasileiros como um obstáculo aos resultados. A proposta atual ainda precisa definir seu formato e como será financiada, num cenário em que o MEC também tem compromissos de ampliação de políticas de apoio a estudantes.