Trump intensifica campanha antes das eleições de meio de mandato
Pesquisa da CNN aponta chances de democratas conquistarem quatro cadeiras no Senado, em disputas que podem ajudar o partido a obter a maioria.
Resumo em 30 segundos
A uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Donald Trump intensificou a campanha por candidatos republicanos, apesar de alertas de que sua presença pode prejudicá-los em disputas apertadas. Pesquisa da CNN aponta chances de democratas vencerem quatro cadeiras no Senado. A votação também definirá a composição da Câmara.
A uma semana das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Donald Trump intensificou a campanha pelos candidatos republicanos, apesar de alertas de aliados de que sua presença pode prejudicá-los em disputas apertadas. Uma pesquisa divulgada pela CNN nesta quinta-feira aponta chances reais de democratas conquistarem quatro cadeiras no Senado, em Michigan, Maine, Texas e Kansas, resultado que poderia ajudá-los a obter o controle da Casa.
A votação está marcada para terça-feira e renovará 35 das 100 cadeiras do Senado, pouco mais de um terço da Casa. Para alcançar a maioria, os democratas precisam ganhar cinco cadeiras em relação à atual composição. Além das vagas no Senado, as eleições também definirão a composição da Câmara dos Representantes, cuja maioria republicana Trump tenta preservar.
As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial de quatro anos e renovam todos os assentos da Câmara, além de cerca de um terço do Senado. Também há disputas estaduais e locais. O resultado pode limitar a capacidade do presidente de aprovar leis e ampliar a fiscalização do Congresso sobre o governo.
A possibilidade de perder o controle de uma ou das duas Casas preocupa a Casa Branca. Um Congresso dominado pelos democratas poderia impor mais obstáculos à agenda de Trump e ampliar a supervisão das ações do governo. Para o presidente, o resultado também servirá como medida do apoio que ainda mantém entre os eleitores, dois anos antes do fim do mandato.
Candidatos republicanos em corridas disputadas têm buscado se afastar de políticas e comportamentos do presidente, além de acusações de que ele usa o cargo em benefício próprio. Assessores políticos e grupos republicanos independentes também alertaram integrantes da Casa Branca de que comícios de Trump em estados decisivos poderiam causar mais danos do que ajudar os candidatos.
O presidente, porém, rejeitou pesquisas que indicam impopularidade e decidiu fazer eventos pelo país durante a semana. A estratégia, segundo pessoas próximas à operação política da Casa Branca, é concentrar esforços em estados republicanos e estimular a participação dos eleitores. Trump quer que o ciclo eleitoral seja tratado como um referendo sobre sua própria Presidência.
A porta-voz da Casa Branca, Danielle Alvarez, afirmou que o presidente e seus assessores estão unidos em torno dos objetivos do governo. “Há apenas uma equipe que importa nesta Casa Branca, e é a equipe dedicada a servir ao presidente Donald J. Trump e ao povo americano”, disse, em comunicado. Ela acrescentou que o grupo está concentrado em executar a agenda de “colocar a América em primeiro lugar”.
Os eventos de campanha têm incluído mensagens econômicas, mas elas foram por vezes eclipsadas por protestos, comentários de Trump sobre a aparência física masculina e críticas aos democratas. No Tennessee, no início deste mês, ele reclamou da carga de trabalho e pediu aos apoiadores que fossem votar. O presidente também tem destacado o tamanho das multidões em seus comícios e comparado a participação com a do vice-presidente JD Vance.
A tensão eleitoral ocorre em meio a um ambiente de disputas internas, mudanças de pessoal e ansiedade entre auxiliares sobre o resultado. Dezesseis integrantes e ex-integrantes do governo e aliados de Trump descreveram esse clima, sob condição de anonimato. Para alguns funcionários que serviram no primeiro mandato, entre 2017 e 2021, as últimas semanas lembram aquele período, marcado por conflitos internos e saídas frequentes de integrantes do governo.
Trump voltou à Casa Branca acompanhado por aliados que permaneceram ao seu lado durante os anos em que esteve fora do poder. Desde o retorno, ordenou que o Departamento de Justiça investigasse pessoas que considera adversárias e lançou uma ofensiva federal contra imigrantes em situação irregular. Algumas operações envolveram cidadãos americanos e, em certas ocasiões, provocaram confrontos fatais.
A equipe presidencial também enfrenta incertezas sobre possíveis mudanças depois da votação. Auxiliares que se preparam para a possibilidade de os republicanos perderem ao menos a Câmara esperam que Trump reorganize o governo conforme o resultado. Presidentes costumam rever suas equipes depois de eleições desfavoráveis.
Uma contratação recente aumentou as dúvidas sobre a dinâmica interna. Trump escolheu Katie Zacharia, comentarista de televisão, para o cargo de secretária de imprensa após assistir a vídeos dela, antes de a avaliação formal terminar. Zacharia viajou com o presidente, mas não participou das reuniões diárias da cúpula do governo e deixou o posto após cinco dias. Trump negou publicamente estar insatisfeito com a chefe de gabinete, Susie Wiles, e afirmou que ela permanecerá no cargo.