Democratas miram maioria na Câmara a uma semana das eleições
A votação será em 3 de novembro de 2026; pesquisas apontam vantagem democrata na Câmara e disputa mais equilibrada pelo Senado.
Resumo em 30 segundos
Os americanos votam em 3 de novembro para renovar as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado. Pesquisas indicam vantagem democrata na disputa pela Câmara, enquanto o Senado aparece mais equilibrado. A campanha tem como temas o custo de vida, a guerra no Irã e a possibilidade de investigações sobre o governo Trump.
A uma semana das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, os democratas estão otimistas com a possibilidade de conquistar a Câmara dos Representantes. O presidente Donald Trump percorre o país em campanha, enquanto pesquisas apontam vantagem democrata na Câmara e uma disputa mais equilibrada pelo Senado.
A votação renovará as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 vagas do Senado, cerca de um terço da Casa. As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e podem alterar o equilíbrio de poder no Congresso, que aprova leis e orçamento e supervisiona o governo.
Os republicanos têm hoje quatro cadeiras a mais no Senado. Uma vitória democrata na Câmara permitiria à oposição dificultar a agenda econômica de Trump, já que a Casa participa das decisões sobre gastos públicos e o limite de endividamento do país. Líderes democratas também prometeram abrir investigações sobre o governo e as finanças da família Trump, além de magnatas aliados do presidente.
A possibilidade de um novo processo de impeachment depende, entre outros fatores, do resultado no Senado. O provável próximo presidente democrata da Câmara, Hakeem Jeffries, disse à CNN: “Não descartamos nada, nem confirmamos nada”. Trump, por sua vez, afirmou recentemente: “Virei um especialista” em processos de destituição. Ele já enfrentou dois impeachments durante seus mandatos anteriores.
O custo de vida e a insatisfação com a guerra no Irã estão entre as preocupações dos eleitores. O preço da gasolina subiu desde o início do conflito no Oriente Médio, e Trump ameaçou retomar ataques diretos depois da votação. Uma pesquisa do instituto Gallup, realizada em setembro, apontou que quase 60% dos eleitores estavam descontentes com Trump, os democratas e os republicanos.
A campanha também se concentra em disputas para o Senado em estados tradicionalmente republicanos. No Texas, o democrata James Talarico aparece à frente de Ken Paxton, candidato apoiado por Trump, e pode tentar conquistar uma vaga que não é ocupada por um democrata há mais de três décadas. Kansas, Iowa, Ohio e Alasca também são apontados como estados em que os republicanos enfrentam disputas difíceis.
No Alasca, o governo Trump anunciou uma ação judicial contra os democratas por causa da candidatura de um aspirante ao Senado chamado Dan Sullivan, mesmo nome do candidato republicano. Os republicanos ampliaram gastos com anúncios na televisão e nas redes sociais, com apoio de grandes doações, entre elas US$ 366 milhões de Elon Musk neste ciclo eleitoral. Ainda assim, os democratas têm vantagem geral na arrecadação, segundo dados da Comissão Federal Eleitoral.
Os democratas também enfrentam críticas a alguns candidatos. Abdul El Sayed, que disputa uma vaga no Senado por Michigan, é acusado por adversários republicanos de ter simpatia excessiva pela Irmandade Muçulmana. A campanha ocorre em meio a uma participação antecipada elevada: mais de 23 milhões de votos já haviam sido enviados, ante 15 milhões no mesmo período das eleições legislativas de 2022.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- São eleições legislativas realizadas no meio do mandato presidencial nos Estados Unidos. Os eleitores escolhem representantes para o Congresso, e o resultado pode mudar o equilíbrio entre os partidos na Câmara e no Senado.