Trump chama eleição brasileira de desgraça e busca conversa com Lula
O presidente dos EUA não reconheceu diretamente a vitória de Lula nem apresentou provas de irregularidades; também não informou quando pretende falar com o brasileiro.
Resumo em 30 segundos
Donald Trump chamou de “uma desgraça” a eleição brasileira e afirmou que pretende conversar com Lula sobre o resultado, sem reconhecer diretamente sua vitória ou apresentar provas de irregularidades. No Brasil, Flávio Bolsonaro prepara um pedido de asilo nos Estados Unidos, enquanto Valdemar Costa Neto disse que Jair Bolsonaro não sabia dos planos do senador.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamou de “uma desgraça” a eleição brasileira e disse nesta quinta-feira (29) que pretende conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o resultado. Questionado por jornalistas se reconhecia a vitória de Lula, Trump não respondeu diretamente.
O republicano voltou a levantar suspeitas sobre o processo eleitoral, mas não apresentou provas de irregularidades nem disse quem considera vencedor legítimo. Como justificativa para sua avaliação, citou a queda do mercado financeiro brasileiro após a votação. Também afirmou que Lula havia pedido que ele não tomasse partido na disputa.
Trump não informou quando pretende falar com Lula. A declaração ocorre depois da eleição presidencial brasileira, cujo resultado é contestado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A fala do presidente americano, porém, não equivale a uma contestação formal do resultado eleitoral.
A discussão sobre a eleição também envolveu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil e chegou a Miami, na Flórida, na manhã de quarta-feira (28). Ele prepara uma iniciativa jurídica para pedir asilo político nos Estados Unidos, sob o governo Trump, com base em alegações de perseguição política pelo governo federal e pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em carta divulgada após chegar aos Estados Unidos, Flávio afirmou que a Polícia Federal pediu o cancelamento de seus passaportes sete minutos depois da proclamação do resultado eleitoral, em uma investigação sigilosa. O senador sustenta que medidas contra ele buscariam silenciar a oposição e descreveu a situação como um “manual clássico de golpe de Estado”. Essas afirmações são argumentos apresentados por Flávio para fundamentar o pedido de asilo.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, visitou Jair Bolsonaro nesta quinta-feira. Ao falar sobre uma possível despedida entre pai e filho antes da viagem, Valdemar primeiro disse que Flávio havia se despedido do ex-presidente, mas depois afirmou que Bolsonaro não sabia dos planos do senador.
Valdemar também declarou que não gostou da carta de Flávio, divulgada após a derrota de Lula no segundo turno, e disse que “ninguém concorda” com a manifestação. Segundo o dirigente, ele e Bolsonaro conversaram sobre a eleição, mas não sobre a carta. Valdemar afirmou ainda que o partido precisa “tocar o partido para frente”.