PT rejeita interferência dos EUA após críticas de Trump à eleição
Reeleito em 2026 com mais de 64 milhões de votos, Lula derrotou Flávio Bolsonaro; o PT diz que críticas de Trump não justificam contestar a votação.
Resumo em 30 segundos
A direção nacional do PT aprovou resolução que rejeita interferência estrangeira após Donald Trump chamar de “vergonhosa” e “fraudulenta” a eleição vencida por Lula. O partido também criticou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. A tensão pode afetar a relação diplomática e atrasar a autorização para o indicado dos EUA a embaixador no país.
A direção nacional do PT afirmou nesta quinta-feira, 29, que a reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao resultado da eleição brasileira exige atenção e que o país não aceitará interferência estrangeira. A manifestação foi aprovada em resolução partidária, quatro dias depois de Luiz Inácio Lula da Silva vencer o segundo turno e conquistar um quarto mandato.
Trump classificou a eleição como “vergonhosa” e “fraudulenta”, mas não apresentou provas de irregularidades. O PT afirmou que a votação foi fiscalizada e reconhecida por sua lisura e que divergências políticas não devem servir de justificativa para contestar a vontade dos eleitores.
Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos, após superar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo colocado. A disputa marcou uma virada em relação ao resultado do primeiro turno, de acordo com a resolução do partido.
A manifestação também pode afetar a relação diplomática entre os dois países. O governo brasileiro deve manter uma postura pragmática diante das declarações de Trump, sem anunciar medidas diretas contra a Casa Branca. A tensão, porém, pode atrasar o agrément de Daniel Perez, indicado pelo governo republicano para ser embaixador no Brasil. Agrément é a autorização formal do país que recebe um diplomata para que ele assuma o posto.
O PT também citou a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, dois dias depois da derrota eleitoral, e relacionou o episódio a investigações e denúncias de corrupção. A legenda afirmou que a viagem demonstra a gravidade do cenário político e mencionou a reação do ex-presidente Jair Bolsonaro ao resultado da eleição de 2022.
Segundo informações divulgadas sobre a viagem, Flávio e a família chegaram a Miami na quarta-feira, 28, após deixar a Argentina em um jato particular. A viagem teria sido organizada por Jason Miller, integrante da equipe de comunicações da Casa Branca e aliado de Trump. A versão sobre a participação de Miller foi atribuída a relatos da imprensa americana.
A saída ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega dos passaportes do senador em até 24 horas. A medida foi tomada no contexto de duas investigações: uma apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz; a outra examina o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal havia alertado Moraes para o risco de Flávio deixar o país. Na segunda-feira, 26, o senador publicou um vídeo em que dizia que cumpriria a ordem judicial e negava que pretendesse sair do Brasil. A resolução do PT não detalhou quais providências o partido pretende tomar diante da viagem ou das declarações de Trump.