Troy Jackson derrota Susan Collins e conquista vaga no Senado pelo Maine
A vitória encerra cinco mandatos de Collins e reforça a disputa democrata pelo controle do Senado dos Estados Unidos após uma campanha marcada pelo custo de vida.
Resumo em 30 segundos
Troy Jackson venceu Susan Collins na eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo Maine. Ex-lenhador e ex-presidente do Senado estadual, ele entrou na disputa após a saída do candidato democrata inicialmente escolhido. A campanha abordou o custo de vida e a pesca de lagosta, atividade econômica importante no estado.
O democrata Troy Jackson, de 58 anos, venceu a eleição para o Senado dos Estados Unidos pelo Maine e derrotou a republicana Susan Collins, que ocupava a cadeira desde 1996. Ex-lenhador e ex-presidente do Senado estadual, Jackson chegou à disputa após uma troca de candidato de última hora entre os democratas e encerrou uma sequência de reeleições de Collins ao longo de cinco mandatos.
A vitória fortalece os democratas na tentativa de conquistar a maioria no Senado, uma das duas casas do Congresso americano. O Maine tem escolhido candidatos democratas nas eleições presidenciais desde 1992, mas Collins manteve o mandato por três décadas. Ela é considerada uma republicana moderada e, em algumas ocasiões, criticou o presidente Donald Trump.
O custo de vida, especialmente o preço dos combustíveis, esteve entre os temas centrais da campanha. Os dois candidatos também defenderam a pesca de lagosta, atividade econômica importante no estado e que movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano. A disputa foi acompanhada de perto porque pesquisas recentes apontavam um resultado apertado.
Jackson construiu sua trajetória política com foco em questões ligadas aos trabalhadores do norte do Maine. Antes de entrar na política, trabalhou como madeireiro. No fim da década de 1990, começou a organizar protestos contra trabalhadores canadenses que cruzavam a fronteira para trabalhar nos Estados Unidos por salários menores.
Ele iniciou a carreira eleitoral na Câmara dos Representantes do Maine e chegou à Presidência do Senado estadual, cargo que exerceu entre 2018 e 2024. Como liderança democrata, defende políticas econômicas progressistas, critica a influência de grandes empresas e apoia um sistema universal de saúde nos moldes do Medicare para Todos, proposta de cobertura pública de saúde.
As posições de Jackson sobre temas sociais mudaram ao longo de sua carreira. No passado, ele se opôs ao direito ao aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de receber avaliações positivas da Associação Nacional do Rifle, entidade que defende o direito à posse de armas. Mais tarde, como presidente do Senado estadual, ajudou a aprovar uma lei que permite o aborto em qualquer estágio da gravidez, com autorização médica.
Jackson não era o candidato que os democratas haviam escolhido inicialmente para enfrentar Collins. Graham Platner, o nome indicado antes, abandonou a corrida após uma acusação de estupro. Em uma convenção extraordinária realizada 17 dias depois da saída de Platner, Jackson venceu a escolha do partido no primeiro turno, com 566 votos favoráveis e cinco contrários.
Os dois democratas compartilhavam posições em temas econômicos e sociais e haviam feito campanha juntos no início do ano, quando Jackson concorria ao governo do Maine. Entre as propostas que defenderam estava a extinção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Collins chamou Jackson de “Bernie Bro”, referência a apoiadores do senador Bernie Sanders; republicanos também tentaram associá-lo a Platner e divulgaram críticas ao temperamento do candidato.