Trem da Renfe trafega a até 200 km/h antes de colisão na Espanha
Relatório preliminar estima a velocidade da composição; a confirmação depende da análise da caixa-preta. O acidente ferroviário deixou ao menos 69 mortos.
Resumo em 30 segundos
Um trem da Renfe colidiu com uma composição parada da Iryo nos arredores de Urda, na Espanha. Um relatório preliminar estima que a composição da Renfe trafegava entre 160 e 200 km/h, mas a velocidade exata só será conhecida após a análise da caixa-preta. Ao menos 69 pessoas morreram, e as autoridades trabalham para identificar as vítimas.
Um trem da Renfe que colidiu com uma composição parada da empresa Iryo nos arredores de Urda, no centro da Espanha, trafegava entre 160 e 200 km/h, segundo um relatório preliminar divulgado nesta sexta-feira (30). O acidente ocorreu na quarta-feira (28) e deixou ao menos 69 mortos, de acordo com o balanço informado pelas autoridades.
A Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes (AITAT) afirmou que só poderá determinar a velocidade exata depois de analisar os dados da caixa-preta do trem. O órgão apontou que uma sequência de falhas, instruções e ações levou à colisão e que não havia barreiras suficientes para reduzir o risco.
A batida aconteceu a cerca de 130 quilômetros de Madri. O trem da Renfe atingiu a traseira da composição da Iryo, que estava parada. A Renfe é a operadora ferroviária estatal espanhola; a Iryo é uma empresa privada.
Segundo o ministro dos Transportes, Oscar Puente, vários trens foram parados automaticamente após uma falha no sistema de sinalização, e o centro de controle em Madri passou a coordenar a operação. O trem da Renfe recebeu autorização para continuar, apesar de haver uma composição da Iryo à frente.
Puente afirmou que o controlador não seguiu o protocolo previsto para a situação, que limita a velocidade a 40 km/h. As comunicações entre o centro de controle e os maquinistas também indicaram que o trem da Iryo deveria ter partido antes da composição da Renfe.
A Guarda Civil recebeu notificações sobre 64 pessoas desaparecidas. Até esta sexta-feira, 49 autópsias haviam sido realizadas, mas apenas cinco vítimas — três mulheres e dois homens — tinham sido identificadas, informou Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha.
O presidente regional, Emiliano García-Page, disse que não está descartado um aumento no número de mortos. Segundo ele, os serviços de emergência recolheram 31 sacos com restos mortais parciais, o que dificulta a identificação. Familiares forneceram amostras de DNA à polícia, e muitos aguardam notícias em Toledo, onde foi montado um necrotério provisório.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou em Toledo que o governo trabalha para identificar as vítimas. A oposição de direita pediu a renúncia de Puente, criticando sua gestão da rede ferroviária. O acidente é o mais letal na Espanha desde 2013 e ocorreu oito meses após outro episódio fatal envolvendo as mesmas empresas e a mesma linha.