Acidente entre trens de alta velocidade deixa 69 mortos na Espanha
Uma falha informática parou seis trens, e a investigação vai apurar por que a composição da Renfe retomou a viagem antes de atingir o trem da Iryo.
Resumo em 30 segundos
A colisão ocorreu na quarta-feira, perto de Urda, quando um trem da Renfe que seguia de Madri para Sevilha atingiu a traseira de uma composição da Iryo parada nos trilhos. As buscas continuavam nesta quinta-feira, enquanto a Espanha iniciou três dias de luto nacional e uma investigação apura a retomada da circulação.
A colisão entre um trem de alta velocidade da estatal Renfe e uma composição da empresa Iryo deixou ao menos 69 mortos na quarta-feira, perto de Urda, na província de Toledo, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Nesta quinta-feira, equipes de resgate continuavam a busca por vítimas entre os vagões destruídos, enquanto a Espanha iniciou três dias de luto nacional.
O trem da Renfe seguia de Madri para Sevilha e atingiu a parte traseira do Iryo, que estava parado nos trilhos. O acidente ocorreu por volta das 8h53, no horário local, após uma falha informática afetar um trecho ferroviário de aproximadamente 69 quilômetros, segundo o ministro dos Transportes, Óscar Puente.
Os primeiros indícios apontam que a falha levou à parada de cerca de seis trens, como previsto no procedimento. O trem da Renfe retomou a viagem minutos depois e percorreu aproximadamente 25 quilômetros antes da colisão, sem as precauções de velocidade previstas para a situação. Puente afirmou que o centro de controle autorizou a retomada e classificou a decisão como “equivocada”.
A investigação deverá esclarecer como o tráfego foi liberado e se houve negligência. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que as causas serão apuradas até o fim. “E, se houve negligência, isso será esclarecido”, disse durante visita ao local na quarta-feira.
As buscas prosseguiam entre as ferragens com o auxílio de dois grandes guindastes. “Não podemos considerar esse trabalho concluído”, afirmou Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha. Em Urda, uma escola foi preparada para receber familiares de passageiros, com apoio da Cruz Vermelha. A Guarda Civil instalou postos em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para coletar amostras de DNA que ajudem a identificar as vítimas; também foram abertos pontos de doação de sangue em Castilla-La Mancha e Madri.
O desastre reacendeu o debate sobre a segurança ferroviária espanhola. Em janeiro, uma colisão entre trens de alta velocidade em Adamuz, na Andaluzia, matou 46 pessoas. A nova tragédia ocorreu a um mês das eleições gerais antecipadas, convocadas por Sánchez para 29 de novembro. A oposição já havia criticado o governo após o acidente de janeiro.
O principal sindicato dos maquinistas, o Semaf, manteve para esta quinta-feira uma greve convocada dias antes da colisão. Os reis Felipe VI e Letizia também deveriam visitar feridos internados em um hospital de Toledo, segundo a Casa Real.