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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Toumai permite cirurgia robótica à distância entre hospitais nos EUA

A operação de próstata ocorreu a 56 km, dentro de um estudo clínico autorizado pela FDA; a tecnologia ainda não tem aprovação para uso amplo nos Estados Unidos.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Robô cirúrgico e equipe médica em uma sala de operação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Robô cirúrgico e equipe médica em uma sala de operação.
Resumo em 30 segundos

Um cirurgião retirou a próstata de um paciente com câncer usando o sistema experimental Toumai, controlado de outro hospital a 56 km de distância, na Flórida. A operação integra um estudo clínico autorizado pela FDA. Pesquisadores ainda avaliam a segurança, a eficácia e a confiabilidade da telecirurgia.

Um cirurgião retirou a próstata de um paciente com câncer usando um robô controlado a 56 quilômetros de distância, em uma operação realizada no domingo (25) entre dois hospitais da Flórida, nos Estados Unidos. O procedimento foi apontado como a primeira cirurgia robótica remota entre unidades hospitalares do país.

O médico Vipul Patel, fundador e diretor médico do Global Robotics Institute, operou a partir do AdventHealth Celebration, na região de Orlando. O paciente, um homem de 66 anos, estava em um centro médico da mesma rede, em Minneola. O hospital informou que ele apresentava boa recuperação após a cirurgia.

A operação utilizou o Toumai, sistema experimental desenvolvido pela empresa MicroPort MedBot. Na cirurgia robótica, o profissional comanda instrumentos dentro do corpo do paciente por meio de um console. Na telecirurgia, uma conexão de comunicação permite que esse controle seja feito a distância.

Embora Patel estivesse em outro hospital, uma equipe permaneceu ao lado do paciente durante todo o procedimento. O cirurgião Marcio Moschovas, um dos responsáveis pela pesquisa, prestou assistência presencial e poderia intervir se necessário. A presença de profissionais capacitados junto ao paciente é uma medida de segurança caso haja falha técnica ou na conexão.

A cirurgia integra um estudo clínico autorizado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês). A autorização permite avaliar a tecnologia em condições controladas, mas não equivale à aprovação para uso clínico amplo no país. O estudo analisa, entre outros aspectos, os resultados para os pacientes, a confiabilidade da conexão, o desempenho dos equipamentos e a proteção contra ataques cibernéticos.

Além dos riscos da retirada da próstata, que podem incluir sangramento, infecção, incontinência urinária e disfunção erétil, a operação a distância envolve possíveis falhas de conexão e problemas nos equipamentos. Um ataque cibernético também poderia comprometer o procedimento. Por isso, a segurança e a eficácia da técnica ainda estão em avaliação; uma operação bem-sucedida, por si só, não demonstra que o método possa ser adotado amplamente.

Antes da cirurgia entre os dois hospitais da Flórida, pesquisadores haviam realizado cerca de dez procedimentos experimentais ligando unidades de saúde em Orlando e Luanda, em Angola, separadas por mais de 11 mil quilômetros. Patel afirmou que a pesquisa busca verificar se a telecirurgia pode diminuir barreiras geográficas para o acesso a tratamentos especializados, mas ressaltou que segurança, eficácia e desempenho técnico continuam sendo investigados.

A telecirurgia também foi usada meses antes em uma operação entre Londres, no Reino Unido, e Gibraltar, território britânico a cerca de 2,4 mil quilômetros da capital inglesa. Na ocasião, um cirurgião retirou a próstata de um paciente com auxílio de um robô com quatro braços e câmera 3D. O intervalo entre os comandos do médico e a resposta do equipamento foi de 0,06 segundo.

Fontes: O Globo

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