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Sexta-feira, 2 de outubro de 2026

FDA aprova tavapadon da AbbVie para sintomas motores do Parkinson

A agência reguladora dos Estados Unidos aprovou o tavapadon, da AbbVie, para tratar sintomas motores da doença de Parkinson; ainda não há previsão para o Brasil.

Por Laura Mendes 2 min de leitura
Comprimidos ao lado de um modelo anatômico do cérebro em um consultório médico. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Comprimidos ao lado de um modelo anatômico do cérebro em um consultório médico.
Resumo em 30 segundos

A FDA aprovou o tavapadon, da AbbVie, para sintomas motores do Parkinson. O remédio atua nos receptores dopaminérgicos D1 e D5 e teve resultados positivos em estudos com pacientes em diferentes fases da doença. Especialistas ressaltam que não é cura nem substitui a levodopa. A empresa ainda não prevê quando solicitará registro no Brasil.

A agência reguladora dos Estados Unidos aprovou na terça-feira, 28 de setembro, o tavapadon, medicamento da farmacêutica AbbVie para tratar sintomas motores da doença de Parkinson. Vendido com o nome Juvmo, o remédio ainda não tem previsão de pedido de registro no Brasil, segundo a empresa.

O tavapadon é um agonista dopaminérgico: atua como a dopamina, substância que ajuda a coordenar os movimentos e cuja produção é afetada pela doença. Diferentemente de outros medicamentos da mesma classe, que agem sobretudo nos receptores D2 e D3, o novo remédio atua nos receptores D1 e D5, presentes em vias cerebrais ligadas ao movimento voluntário e ao controle motor.

A neurologista Margarete Carvalho, do Hospital Samaritano Paulista, afirmou que essa atuação mais específica pode reduzir efeitos colaterais associados à ação em circuitos ligados também ao sono e ao sistema de recompensa. O vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento e diretor científico da AbbVie, Roopal Thakkar, declarou que a aprovação representa o primeiro avanço dopaminérgico para Parkinson em décadas.

Nos estudos TEMPO-1 e TEMPO-2, realizados com pessoas em fase inicial da doença, os participantes que receberam tavapadon tiveram melhora de 22% a 23% em tarefas cotidianas, como vestir-se, comer e cuidar da higiene. No grupo que recebeu placebo, houve piora de 12%. Na 26ª semana, o medicamento também apresentou resultados superiores aos do placebo na avaliação conjunta de movimento e atividades diárias.

O estudo TEMPO-3 avaliou pacientes que já usavam levodopa, mas ainda tinham flutuações motoras. Após 26 semanas, o tempo diário em estado “on”, quando os sintomas estão controlados e não há discinesias incômodas, aumentou 1,7 hora com tavapadon e levodopa. Entre os que receberam placebo com levodopa, o aumento foi de 0,6 hora.

O tempo em estado “off”, quando os sintomas retornam, caiu 1,9 hora por dia no grupo que recebeu tavapadon e levodopa, ante redução de 0,9 hora entre os que tomaram placebo e levodopa. Já o TEMPO-4 acompanhou pacientes por 85 semanas, sem grupo de comparação cego: 94% dos participantes em fase inicial não precisaram começar a tomar levodopa, e 93% dos que já usavam a combinação não precisaram aumentar a dose.

O neurologista Danilo Donizete de Faria, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, avaliou que o remédio traz uma inovação farmacológica, mas ressaltou que não é uma cura nem substitui a levodopa, que continua sendo o tratamento sintomático mais eficaz. Os comprimidos serão oferecidos em doses de 5 mg, 10 mg e 15 mg, além de versões de 0,25 mg e 1 mg para ajustes iniciais. A AbbVie informou que avalia como disponibilizar o medicamento em outros mercados.

Quem é quem

Food and Drug Administration (FDA)
Agência federal dos Estados Unidos responsável por regular medicamentos, alimentos, dispositivos médicos e outros produtos. A aprovação de um medicamento pela FDA autoriza sua comercialização nos Estados Unidos, mas não equivale ao registro em outros países.
AbbVie
Empresa biofarmacêutica global que desenvolve e comercializa medicamentos em áreas como imunologia, oncologia e neurociência. A farmacêutica é responsável pelo tavapadon, aprovado nos Estados Unidos para sintomas motores da doença de Parkinson.
Doença de Parkinson
Doença neurológica progressiva associada à perda de neurônios que produzem dopamina. Pode causar sintomas motores, como lentidão e alterações no controle dos movimentos; tratamentos podem ajudar a controlar manifestações, mas não representam necessariamente uma cura.

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