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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Thais Russomano deixa legado na medicina espacial brasileira

A médica morreu em Porto Alegre, aos 63 anos; sua pesquisa incluiu a técnica Evetts-Russomano, adaptada à reanimação em microgravidade.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Astronautas treinam uma reanimação cardiopulmonar em um módulo que simula a microgravidade. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Astronautas treinam uma reanimação cardiopulmonar em um módulo que simula a microgravidade.
Resumo em 30 segundos

Thais Russomano morreu em 17 de outubro, aos 63 anos, em Porto Alegre, enquanto tratava um câncer de mama. Médica e pesquisadora, dedicou mais de três décadas à medicina espacial e ajudou a desenvolver uma técnica de reanimação cardiopulmonar para situações de microgravidade. Também participou da criação de centros de pesquisa no Brasil e no exterior.

A médica e pesquisadora Thais Russomano morreu em 17 de outubro, aos 63 anos, em Porto Alegre. Ela estava internada no Hospital Moinhos de Vento e tratava um câncer de mama diagnosticado em 2016. Russomano dedicou mais de três décadas a pesquisas sobre os efeitos do espaço na saúde humana e ajudou a desenvolver uma técnica de reanimação cardiopulmonar para situações de microgravidade.

Nascida em Porto Alegre, em setembro de 1963, ela cresceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Ingressou aos 16 anos no curso de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Ainda na cidade, criou o Clube das Crianças Astronômicas, iniciativa ligada ao interesse pelo espaço que a acompanhava desde a infância.

Após trabalhar em unidades de terapia intensiva, ambulâncias e plantões hospitalares, Russomano seguiu a formação em medicina aeroespacial. Fez mestrado na Universidade Wright State, nos Estados Unidos, e doutorado em fisiologia espacial no King's College, em Londres. A medicina espacial estuda como as condições do ambiente espacial, como a microgravidade, afetam o corpo e a saúde.

Uma de suas contribuições foi a técnica Evetts-Russomano, criada com o pesquisador Simon Evetts. O método adapta a reanimação cardiopulmonar — procedimento de emergência usado quando o coração para de bombear sangue adequadamente — às dificuldades de atendimento em microgravidade. Nesse ambiente, a ausência de gravidade altera a forma como pacientes e profissionais se movimentam e exige adaptações nos procedimentos médicos.

Russomano participou da criação do Centro de Estudos de Medicina Aeroespacial da Universidade de Lisboa e do Centro de Microgravidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), descrito como a primeira iniciativa desse tipo na América Latina. Também atuou no King's College e foi cientista convidada da Agência Espacial Alemã. Sua carreira incluiu pesquisa, ensino e divulgação científica em instituições de diferentes países, além de vínculos com o Brasil.

A Agência Espacial Brasileira afirmou, em nota de pesar, que Russomano acumulou mais de 30 anos de experiência em pesquisas com benefícios para a saúde humana em ambientes de microgravidade. A Faculdade de Medicina da UFPel destacou a trajetória da médica como exemplo de uma carreira construída a partir da formação em uma universidade pública.

A pesquisadora também fundou a InnovaSpace, organização internacional sediada no Reino Unido dedicada à pesquisa, ao ensino e à divulgação científica sobre medicina espacial e exploração humana do espaço. A entidade afirmou que ela valorizava o compartilhamento do conhecimento e a criação de oportunidades para outras pessoas.

Fontes: Folha de S.Paulo

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