Thais Russomano morre e deixa legado na medicina espacial
A médica morreu no sábado, em Porto Alegre. Ela fundou o Centro de Microgravidade da PUCRS e participou de pesquisas sobre saúde em missões espaciais.
Resumo em 30 segundos
Especialista em Medicina Espacial, Thais Russomano morreu no sábado (17), em Porto Alegre. Ela fundou e coordenou o Centro de Microgravidade da PUCRS, onde liderou pesquisas e atividades de formação. Sua carreira também incluiu treinamento da Nasa, atuação na Agência Espacial Alemã e participação em voos parabólicos para testar procedimentos médicos.
A médica Thais Russomano, especialista em Medicina Espacial, morreu no sábado (17), em Porto Alegre. Referência na pesquisa sobre os efeitos do espaço no corpo humano, ela fundou e coordenou o Centro de Microgravidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), instituição onde liderou estudos e atividades de formação na área.
A ligação de Russomano com a Astronomia começou na infância. Em entrevista em 2007, ela contou que se encantou pelo tema aos seis anos, depois de visitar um planetário. Aos oito, observava o céu diariamente e criou o Clube das Crianças Astronômicas, além de reunir recortes de jornais sobre o assunto.
Ela ingressou aos 16 anos no curso de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Depois de trabalhar em unidades de terapia intensiva (UTIs), ambulâncias e plantões hospitalares, seguiu a formação em Medicina Aeroespacial nos Estados Unidos. Também fez treinamento da Nasa para atendimento médico no espaço.
Russomano concluiu mestrado na Wright State University, nos Estados Unidos, e doutorado no King's College, em Londres, onde permaneceu como professora visitante. De 1997 a 2012, atuou como cientista convidada da Agência Espacial Alemã.
Em 1999, fundou o Centro de Microgravidade da PUCRS, que coordenou até 2017. A unidade tornou-se referência internacional em pesquisas sobre microgravidade — condição em que os efeitos da gravidade são muito reduzidos, como ocorre durante períodos de queda livre em órbita ou em voos de pesquisa.
À frente do laboratório, participou de voos parabólicos realizados em um Airbus. A aeronave faz manobras que produzem breves períodos de microgravidade, permitindo que pesquisadores testem procedimentos e equipamentos em condições semelhantes às do espaço. Cada parábola durava cerca de 22 segundos, durante os quais eram simuladas práticas médicas.
A médica também integrou a Academia Internacional de Astronáutica e presidiu a Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial (SBMA). Sua trajetória reuniu atendimento clínico, pesquisa e treinamento de profissionais para enfrentar desafios de saúde em missões espaciais.