Telescópio Swift deve reentrar hoje e faixa de risco inclui o Brasil
A previsão é que a reentrada ocorra por volta das 7h19, no horário de Brasília, mas o horário pode variar até duas horas e o ponto exato é incerto.
Resumo em 30 segundos
O observatório Swift, da Nasa, tinha reentrada prevista para esta quarta-feira, após quase 22 anos em órbita. A faixa de possível queda abrange parte do Brasil, mas isso não significa que fragmentos chegarão ao país. A agência estima em uma chance em 2.100 o risco de uma pessoa ser atingida no mundo.
O telescópio espacial Neil Gehrels Swift, da Nasa, tinha reentrada na atmosfera prevista para esta quarta-feira (4), por volta das 7h19, no horário de Brasília. A faixa de possível queda inclui parte do Brasil, mas o local exato só pode ser estimado quando o equipamento estiver próximo de atravessar a atmosfera; a previsão tem margem de duas horas para mais ou para menos.
A área de risco se estende entre 20,6 graus de latitude norte e 20,6 graus sul e abrange regiões do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, além de grandes áreas oceânicas e territórios de outros continentes. Isso não significa que os fragmentos cairão em território brasileiro. Como a maior parte da área potencial é coberta por oceanos, e boa parte do observatório deve se desintegrar, o risco de atingir alguém é muito baixo.
A Nasa estima em uma chance em 2.100 a probabilidade de uma pessoa ser atingida por um fragmento em qualquer ponto do planeta. O Swift pesa cerca de 1,5 tonelada, mas o calor gerado durante a passagem em alta velocidade pela atmosfera deve destruir a maior parte da estrutura. Peças mais densas, incluindo componentes de titânio e partes relacionadas aos espelhos, podem resistir e alcançar o solo.
A previsão do horário pode mudar porque depende da velocidade de descida e das condições da atmosfera. O observatório perde altitude há meses devido ao arrasto, a resistência provocada por partículas de ar mesmo em grandes altitudes. A atividade solar aqueceu e expandiu as camadas superiores da atmosfera, aumentando esse efeito. Sem propulsão própria para recuperar altitude, o Swift não consegue evitar a reentrada.
Uma tentativa de prolongar a missão ocorreu em julho, quando a nave robótica LINK foi lançada para alcançar e elevar o observatório a uma órbita mais segura. Desenvolvida pela startup Katalyst Space, a nave não conseguiu capturar o Swift por problemas no sistema de orientação. A Nasa e a empresa abandonaram a tentativa em agosto.
Depois do fracasso, o telescópio voltou a fazer observações por um período curto. Em 20 de outubro, porém, estava a cerca de 275 quilômetros de altitude e já não conseguia manter os instrumentos apontados de forma estável para alvos astronômicos. A equipe da missão, na Universidade Estadual da Pensilvânia, colocou a espaçonave em modo de segurança e encerrou as operações científicas.
Lançado em 20 de novembro de 2004, o Swift foi projetado para uma missão principal de dois anos, mas operou por quase 22. O observatório estudou explosões de raios gama, entre os fenômenos mais energéticos do Universo, além de supernovas, buracos negros, galáxias ativas, cometas e asteroides.
Para entender
- Arrasto atmosférico
- É a resistência provocada por partículas de ar sobre um objeto em movimento. Mesmo em grandes altitudes, esse efeito pode reduzir a velocidade de uma espaçonave e fazê-la perder altitude. A atividade solar pode aquecer e expandir as camadas superiores da atmosfera, aumentando o arrasto sobre satélites.