Tesla reduz produção do Cybertruck no Texas até meados de 2027
A capacidade da fábrica de Austin será direcionada ao Cybercab, veículo autônomo que a montadora pretende usar em uma rede de robotáxis.
Resumo em 30 segundos
A Tesla reduzirá gradualmente a produção do Cybertruck em sua fábrica de Austin até meados de 2027 e usará a capacidade para fabricar o Cybercab. As vendas da picape nos Estados Unidos caíram 48% no ano passado. A aposta nos robotáxis ainda enfrenta questionamentos regulatórios sobre a certificação do novo veículo.
A Tesla vai reduzir gradualmente a produção do Cybertruck na fábrica de Austin, no Texas, até meados de 2027, anunciou o diretor-presidente da empresa, Elon Musk, nesta sexta-feira (6). A capacidade será usada para ampliar a fabricação do Cybercab, veículo autônomo que está no centro dos planos da montadora para operar uma rede de robotáxis.
Ainda não foi esclarecido se a produção do Cybertruck será transferida para outra unidade ou encerrada por completo. A fábrica de Austin é a única instalação conhecida da Tesla equipada para produzir componentes especializados do modelo.
Musk chamou o Cybertruck de “melhor veículo que a Tesla já produziu” e descreveu a redução da produção como “fim de uma era”, em publicações na rede social X. O engenheiro-chefe do modelo, Wes Morrill, disse que o veículo serviu como uma plataforma de desenvolvimento tecnológico e que esse legado continuará no Cybercab.
A Tesla começou a entregar o Cybertruck aos clientes no fim de 2023. Nos Estados Unidos, vendeu 20.237 unidades no ano passado, queda de 48% ante as 38.965 comercializadas em 2024, segundo a Kelley Blue Book, empresa de pesquisa automotiva. Antes do lançamento, Musk havia projetado vendas anuais de 250 mil unidades.
O Cybertruck foi apresentado em 2019 e chegou ao mercado como uma picape elétrica de desenho angular e carroceria de aço inoxidável. O formato incomum e as vendas abaixo das expectativas limitaram a expansão do modelo. A aprovação na Europa é impedida por normas de segurança que consideram os riscos de lesões a pedestres em colisões, segundo Andy Palmer, ex-diretor-presidente da Aston Martin.
As dificuldades não se restringem à Tesla: picapes elétricas de outras fabricantes também tiveram desempenho fraco nos Estados Unidos, afirmou o analista automotivo Felipe Munoz. Ele atribuiu o resultado à baixa popularidade desse tipo de veículo no mercado americano.
A apresentação do Cybertruck ficou marcada por uma demonstração em que Musk tentou provar a resistência dos vidros com uma marreta, mas duas janelas ficaram rachadas. No lançamento comercial, em 2023, ele descreveu o veículo como uma alternativa futurista às picapes da General Motors e da Ford.
A mudança de foco acompanha a estratégia de Musk de transformar a Tesla em uma empresa de inteligência artificial e robótica, além de fabricante de veículos. O Cybercab, que tem portas com abertura em estilo borboleta e não inclui volante, pedais nem espelhos retrovisores, foi concebido para operar sem motorista em uma rede de transporte por aplicativo.
A Tesla começou a cobrar por corridas com uma pequena frota de Cybercabs em Austin, em setembro. A empresa ainda precisa responder a questionamentos da agência americana de segurança automotiva sobre a autocertificação do modelo, processo pelo qual o fabricante declara que o veículo atende às normas federais de segurança. A mudança anunciada para o Cybertruck, portanto, ocorre enquanto a aposta em robotáxis ainda enfrenta escrutínio regulatório nos Estados Unidos.
Para entender
- Autocertificação veicular
- Nos Estados Unidos, fabricantes declaram que seus veículos cumprem os padrões federais de segurança. A agência de segurança automotiva pode questionar essa declaração e verificar se os requisitos foram atendidos.