Tarcísio mantém Geraldo Melo Filho e Marília Marton em secretarias
As duas pastas terão os mesmos titulares no próximo mandato; Tarcísio ainda negocia mudanças em outras áreas e busca equilibrar nomes técnicos e espaço para aliados.
Resumo em 30 segundos
Geraldo Melo Filho continuará na Secretaria de Agricultura, e Marília Marton, na Secretaria de Cultura. Tarcísio de Freitas negocia a composição das demais pastas para o próximo mandato, buscando conciliar critérios técnicos e espaço para partidos aliados. Ainda estão em avaliação mudanças em áreas como Segurança, Saúde e Casa Civil.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou que Geraldo Melo Filho continuará à frente da Secretaria de Agricultura e Marília Marton permanecerá na Secretaria de Cultura no próximo mandato. As duas escolhas fazem parte da formação da nova equipe, que combina a manutenção de nomes técnicos com a distribuição de espaço entre partidos aliados.
Tarcísio iniciou conversas com integrantes de sua base para encaminhar as definições até o fim do mês. Após vencer a eleição no primeiro turno, com 62,65% dos votos, ele disse que faria “algumas mexidas”, mas que “muitos secretários” permaneceriam. Fernando Haddad (PT), seu adversário, obteve 36,42%.
A composição do secretariado envolve o desafio de preservar o perfil técnico defendido pelo governador e contemplar partidos que ampliaram sua participação na coligação, entre eles o MDB. Aliados aconselharam Tarcísio a montar uma equipe com experiência administrativa e capacidade de articulação política. O prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), participou de conversas sobre as escolhas; nomes ligados à prefeitura também são cogitados.
As negociações ficaram em segundo plano durante o segundo turno, período em que Tarcísio se dedicou à campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Havia a possibilidade de que, em caso de vitória, Flávio levasse integrantes do governo paulista para a equipe federal.
Nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, é considerada provável a permanência de Roberto Carneiro na Secretaria de Governo e Relações Institucionais. Próximo de Tarcísio e de Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, Carneiro é apontado como peça importante na relação do governo com prefeitos e deputados estaduais.
Outra mudança em avaliação envolve Natália Resende, atualmente secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística. A hipótese mais forte é que ela assuma uma função de maior protagonismo no palácio, possivelmente a Casa Civil. Durante a campanha, Resende coordenou o plano de governo.
O PSD, presidido nacionalmente por Gilberto Kassab, deve perder espaço na nova gestão. Kassab deixou a Secretaria de Governo antes do período eleitoral e acumulou divergências com Tarcísio, embora o partido tenha apoiado a reeleição. O governador trabalha com a possibilidade de substituir Eleuses Paiva na Secretaria da Saúde. Guilherme Afif Domingos, secretário de Projetos Estratégicos, pode continuar, mas sua permanência é vista como uma escolha pessoal de Tarcísio, e não como indicação partidária.
O Novo também aguarda uma definição sobre sua participação. A legenda apoiou Tarcísio antes dos demais partidos e retirou a candidatura de Ricardo Salles ao Senado na semana do primeiro turno, em favor de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), ambos eleitos. Salles nega que tenha havido acordo por cargos e deve conversar com o governador nos próximos dias.
A Secretaria da Segurança Pública está sob pressão de entidades do setor. O Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Sindpesp) cobrou, nesta quarta-feira, que o próximo titular reúna conhecimento técnico e experiência no combate à criminalidade paulista. “É imprescindível que a pasta tenha à frente profissional que seja de São Paulo e que detenha amplo conhecimento, inclusive técnico, das demandas das forças de segurança, bem como das minúcias e da dinâmica da violência paulista, para o eficaz combate à criminalidade e o pleno atendimento dos anseios da população”, afirmou a entidade em nota.
A pasta é chefiada pelo delegado Nico Gonçalves, que sucedeu Derrite em dezembro do ano passado. Tarcísio tem afirmado que reduzir continuamente os indicadores de criminalidade e violência será uma das prioridades do próximo mandato. A escolha do secretário de Segurança, assim como as demais nomeações, ainda depende da decisão do governador.
A montagem da equipe também é observada como parte da estratégia política de Tarcísio. Aliados que defendem uma futura candidatura presidencial avaliam o próximo mandato como uma vitrine nacional, mas o governador tem associado o reconhecimento de sua gestão a resultados concretos. Ele afirmou que poderia disputar a Presidência caso “termine bem” o segundo mandato.
Tarcísio reconheceu a vitória de Lula e não contestou o resultado da eleição. Dois dias depois da votação, publicou um vídeo em que pediu à direita que se mantivesse unida na oposição ao governo federal e atuasse de forma “vigilante”.