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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Servidores de São Paulo relatam pressão para ir a ato pró-Flávio

Quatro funcionários dizem que receberam avisos de superiores sobre listas de presença e temeram perder cargos ou benefícios se faltassem à manifestação.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Manifestantes ocupam a avenida Paulista durante um ato político em São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Manifestantes ocupam a avenida Paulista durante um ato político em São Paulo.
Resumo em 30 segundos

Servidores da Prefeitura de São Paulo afirmam que foram pressionados por superiores a participar de um ato em apoio a Flávio Bolsonaro na avenida Paulista. Os relatos incluem ameaça de perda de cargo e promessa de folgas. O prefeito Ricardo Nunes declarou apoio à campanha e pediu aos presentes que divulgassem a candidatura.

Servidores da Prefeitura de São Paulo relataram ter sido convocados por superiores a participar de um ato em apoio à campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado neste domingo (18) na avenida Paulista. Os funcionários disseram que foram informados de que haveria listas de presença e que alguns temeram perder cargos ou benefícios caso não comparecessem.

Quatro servidores de diferentes áreas da administração municipal, sem ligação entre si, afirmaram que receberam os avisos de secretários ou chefes de gabinete. As convocações teriam sido feitas verbalmente na sexta-feira (16) e no sábado (17), já que pedidos dessa natureza são proibidos pela legislação eleitoral.

Uma pessoa relatou que seu superior imediato a advertiu sobre a possibilidade de perder o cargo se faltasse. Outra disse que a orientação circulou entre funcionários de uma subprefeitura. Os servidores afirmaram que a situação causou preocupação, sobretudo entre ocupantes de cargos comissionados e funcionários de carreira que recebem gratificações.

Uma mensagem de WhatsApp atribuída a uma coordenadora de um Centro de Educação Infantil conveniado de Itaquera, na zona leste, apresentava uma lista de folgas que seriam concedidas como compensação a funcionários que fossem à manifestação. A convocação obrigatória de servidores para atos de campanha é vedada; a participação voluntária fora do expediente é permitida, desde que não envolva uso da estrutura pública nem desvio de função.

Em uma reunião com funcionários realizada no sábado, em uma casa usada como base da campanha de Flávio, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) pediu que os presentes divulgassem a candidatura. “Precisamos colocar adesivo nos nossos carros, colocar 22 no peito, ir para as redes sociais, participar dos atos, falar com as pessoas. A gente vai ter, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória do Flávio Bolsonaro”, disse Nunes.

O prefeito, que não é candidato, pode declarar apoio político. A legislação distingue esse tipo de manifestação de uma convocação de subordinados: o problema apontado pelos servidores é a pressão para comparecer, e não a manifestação pública de preferência eleitoral.

Um documento intitulado “Bloquinho do 22 — planta operacional” organizava a distribuição de sete pontos para caminhões de som e cinco trechos de bandeiras ao longo de 840 metros da Paulista. O material indicava locais de concentração, entre eles o Conjunto Nacional, as estações Consolação e Trianon-Masp, além de pontos na avenida, na rua Peixoto Gomide e na alameda Ministro Rocha Azevedo.

A lista atribuía a coordenação dos pontos a secretários municipais, dirigentes de empresas públicas e agências e subprefeitos de diferentes regiões da cidade. Segundo os relatos dos funcionários, eles foram orientados a permanecer perto de suas respectivas secretarias para facilitar a contagem dos participantes. A intenção seria levar ao ato um público superior ao da manifestação de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizada na Paulista na semana anterior.

Em 2024, relatos de assédio eleitoral no ambiente de trabalho envolvendo a gestão Nunes já haviam levado à abertura de um inquérito no Ministério Público do Trabalho. A Secretaria de Comunicação da prefeitura não respondeu aos questionamentos encaminhados desde sábado sobre os relatos de convocação.

Para entender

Assédio eleitoral
É a pressão ou ameaça relacionada à escolha política ou ao voto de alguém, inclusive no ambiente de trabalho. A participação voluntária em atividades de campanha fora do expediente é diferente de uma convocação feita por superiores.

Fontes: Folha de S.Paulo

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