Tarcísio deve reduzir espaço do PSD nas secretarias de São Paulo
O novo mandato deve manter dois nomes próximos de Kassab, mas Saúde e Governo não devem ficar sob o comando do partido.
Resumo em 30 segundos
Tarcísio de Freitas deve dividir as secretarias do próximo mandato de forma mais equilibrada entre os partidos aliados. Marcelo Branco e Guilherme Afif Domingos são cotados para permanecer, enquanto o PSD deve perder espaço em pastas importantes. MDB, PL, Republicanos, Podemos e a Federação União Progressista também disputam cargos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve reduzir a participação do PSD na equipe de secretários do próximo mandato e dividir cargos de forma mais equilibrada entre os partidos aliados. A montagem do novo governo ocorre após a reeleição de Tarcísio para mais quatro anos no estado; a tendência é manter dois nomes próximos ao presidente do PSD, Gilberto Kassab, mas sem entregar à sigla o comando de pastas importantes como Saúde e Governo.
Marcelo Branco, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, e Guilherme Afif Domingos, à frente da Secretaria Extraordinária de Projetos Estratégicos, são cotados para permanecer. Afif é considerado uma escolha pessoal do governador e tem como atribuição ajudar a conduzir as obras do novo centro administrativo.
A Secretaria de Governo e Relações Institucionais, que já foi comandada por Kassab, deve continuar com Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos. Na Saúde, o ex-deputado federal Eleuses Paiva deixou o cargo, e Tarcísio avalia nomes ligados ao MDB: Luiz Carlos Zamarco, atual secretário municipal da área em São Paulo, e o adjunto Maurício Serpa.
O PL tenta ampliar sua presença para além da Secretaria da Mulher. Uma possibilidade em discussão é manter o delegado Osvaldo Nico na Segurança Pública, em vez de indicar um nome ligado ao bolsonarismo. A Polícia Civil é descrita como reduto do PP no estado.
A nova composição também envolve Republicanos, MDB, Podemos e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A distribuição de secretarias é uma das formas de acomodar partidos que apoiam o governo e pode influenciar a articulação política com a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), responsável por votar projetos estaduais.
O PSD, que foi um dos principais aliados de Tarcísio na eleição anterior, tem nove deputados entre os 94 integrantes da Alesp e o maior número de prefeitos do estado. Kassab articulou o apoio à candidatura de Tarcísio e a indicação de Felício Ramuth para vice, mas se afastou do governador durante o mandato, em meio a desentendimentos sobre o papel de Ramuth, hoje no MDB.
Kassab pediu demissão do governo para concorrer à vice-presidência da República na chapa do ex-governador Ronaldo Caiado, do PSD. Ele também admite a possibilidade de integrar um eventual quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Apesar da redução esperada de espaço na administração paulista, a presença do partido na Alesp e nas prefeituras mantém relevância para a política estadual.
Para entender
- Alesp
- A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo é o parlamento estadual. Seus deputados discutem e votam projetos de lei e outras medidas que afetam o estado, além de fiscalizar a atuação do governo paulista.