Kassab defende voto distrital misto e prevê avanço no Congresso
A proposta prevê dois votos por eleitor, um para um candidato do distrito e outro para uma lista partidária; o dirigente quer apresentá-la a partidos de esquerda.
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Gilberto Kassab defende a adoção do voto distrital misto no Brasil e acredita que a proposta pode avançar no Congresso até o fim do ano. O modelo prevê votos para um candidato local e para uma lista partidária. Ele também relacionou a mudança à redução dos gastos públicos com campanhas e partidos.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu a adoção do voto distrital misto no Brasil e disse acreditar que a proposta pode avançar no Congresso até o fim do ano. Em entrevista exibida no domingo (1º), ele explicou que o eleitor escolheria um representante de seu distrito e também votaria em uma lista partidária. Kassab pretende apresentar a ideia a partidos de esquerda.
No sistema proposto, cada eleitor teria dois votos: um para um candidato que concorre em determinada região e outro para uma legenda. Parte dos parlamentares seria eleita pelos distritos; as demais vagas seriam distribuídas com base nas listas dos partidos. A proposta combina, portanto, a escolha direta de representantes locais com a representação partidária.
O voto distrital misto não é o mesmo que o distrital puro. No modelo puro, os eleitores escolhem representantes apenas nos distritos; no misto, há também vagas vinculadas à votação dos partidos. A forma de organizar as listas pode variar: em uma lista fechada, a legenda define previamente a ordem dos candidatos, e o eleitor vota no partido, não escolhe individualmente quem ocupará essas vagas.
Kassab afirmou que o modelo pode aproximar os eleitores dos parlamentares e reduzir a disputa entre candidatos da mesma legenda. Também defendeu que a mudança venha acompanhada de redução dos recursos públicos destinados a partidos e campanhas. Na avaliação dele, o sistema poderia contribuir para baratear as eleições, embora o efeito dependa das regras adotadas.
O sistema alemão é uma referência conhecida do voto distrital misto, mas os detalhes variam entre países. Em geral, o eleitor faz escolhas separadas para um candidato local e para uma lista partidária. Para transformar uma proposta em regra no Brasil, porém, é necessário que ela seja aprovada pelo Congresso; Kassab não detalhou, na entrevista, um calendário de tramitação ou o formato final que defenderia.
A entrevista também tratou da relação do PSD com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Kassab disse que o Planalto procurou o partido e que a participação de filiados na gestão é possível, mas condicionou uma aproximação maior a uma agenda econômica voltada ao centro e ao equilíbrio fiscal.
O dirigente afirmou que o governo deve conciliar compromissos sociais com controle das contas públicas. Defendeu cortes de gastos, subsídios e privilégios e disse que a equipe econômica precisa transmitir confiança a investidores. Como referência, mencionou a condução econômica do primeiro mandato de Lula, com Antonio Palocci e Henrique Meirelles.
Kassab também voltou a defender a realização de um segundo turno na eleição para o governo do Rio de Janeiro. O PSD questiona no Supremo Tribunal Federal a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que manteve o resultado da disputa. O dirigente disse que pretende levar à Corte a contestação à anulação de votos ligados à candidatura de Anthony Garotinho e afirmou que, segundo juristas eleitorais com quem conversou, existe possibilidade de reversão.
Para entender
- Voto distrital misto
- Sistema eleitoral em que o eleitor vota tanto em um candidato que representa uma área geográfica quanto em uma lista partidária. As regras para distribuir as vagas e organizar as listas podem variar entre países.