Tânia Andrade Lima é baleada em assalto no Leblon
A arqueóloga foi atingida três vezes após sair de um banco e está em recuperação; a Polícia Civil identificou um dos suspeitos.
Resumo em 30 segundos
A arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, foi baleada durante um assalto no Leblon, na quinta-feira, 15 de outubro. Ela foi socorrida e transferida para um hospital particular. Um dos suspeitos foi identificado; a polícia apreendeu a moto roubada usada na fuga e dois celulares. Tânia liderou escavações que revelaram o Cais do Valongo.
A arqueóloga Tânia Andrade Lima, de 81 anos, foi baleada durante um assalto na tarde de quinta-feira, 15 de outubro, na Rua General Venâncio Flores, no Leblon, zona sul do Rio de Janeiro. Ela havia acabado de sair de uma agência bancária quando foi derrubada e agredida por um homem que tentou levar sua bolsa; depois dos disparos, os assaltantes fugiram de motocicleta.
Tânia foi atingida três vezes, na mão, no ombro e no pescoço. Policiais do programa Segurança Presente a levaram ao Hospital Municipal Miguel Couto. A Secretaria Municipal de Saúde informou que os ferimentos no pescoço e no ombro não eram graves, enquanto a lesão na mão exigiu mais atenção. Depois, ela foi transferida para um hospital particular.
Segundo a Polícia Civil, um dos suspeitos já foi identificado. Após o crime, policiais montaram um cerco e interceptaram a motocicleta nas proximidades do Túnel Rebouças, no sentido Zona Norte. Os ocupantes escaparam a pé e deixaram para trás o veículo, que era roubado, e dois celulares. A polícia fez perícia papiloscópica na moto, procedimento que busca impressões digitais, para tentar identificar o segundo envolvido. A investigação está a cargo da 14ª DP (Leblon), com apoio do 23º BPM.
Professora aposentada do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora sênior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Tânia é reconhecida pelo trabalho em arqueologia e preservação do patrimônio. Em 2011, liderou escavações que revelaram o Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, um dos principais pontos de desembarque de africanos escravizados nas Américas.
As pesquisas arqueológicas na região, feitas antes de obras de revitalização, encontraram objetos ligados à vida e às práticas culturais de africanos escravizados, como miçangas, amuletos e peças usadas em rituais. O sítio histórico está associado à chegada de centenas de milhares de pessoas escravizadas ao Brasil no século 19. O estudo de objetos e vestígios materiais ajuda pesquisadores a reconstruir aspectos da vida cotidiana que nem sempre aparecem nos registros escritos.
A arqueóloga recebeu o Hypatia Award em 2023, na Itália, por sua contribuição à arqueologia e à preservação do patrimônio cultural. Em 2006, recebeu o grau de comendadora da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Ministério da Cultura, e, em 2016, foi premiada pelo trabalho ligado ao Cais do Valongo. Ela também presidiu a Sociedade de Arqueologia Brasileira.
O Museu Nacional/UFRJ publicou uma manifestação de solidariedade à professora, aos familiares e aos colegas. A instituição lamentou que o ataque tenha ocorrido no Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, e desejou a Tânia pronta recuperação.
Para entender
- Cais do Valongo
- Sítio arqueológico na zona portuária do Rio de Janeiro, ligado ao desembarque de africanos escravizados trazidos ao Brasil. As escavações na região encontraram vestígios materiais que ajudam a estudar a vida e as práticas culturais dessas pessoas.
- Perícia papiloscópica
- Exame técnico que busca impressões papilares, como as digitais, em objetos ou superfícies. A análise pode ajudar a identificar pessoas que tiveram contato com o material examinado.