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Sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Plano de drenagem de São Paulo prevê obras sem data para começar

Intervenções contra alagamentos em áreas como Ibirapuera e praça da Bandeira ainda não chegaram à fase de projeto, apesar de serem prioritárias.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Água da chuva acumulada junto a uma grelha de drenagem em uma avenida de São Paulo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Água da chuva acumulada junto a uma grelha de drenagem em uma avenida de São Paulo.
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O Plano Diretor de Drenagem de São Paulo prevê intervenções para reduzir alagamentos no entorno do Ibirapuera, na praça da Bandeira e no túnel do Anhangabaú, mas a prefeitura não informa quando começarão as principais obras. Algumas propostas ainda estão em fase inicial, e os investimentos previstos somam centenas de milhões de reais.

A Prefeitura de São Paulo não tem previsão para iniciar as principais obras contra alagamentos nas regiões do parque do Ibirapuera, da praça da Bandeira e do túnel do Vale do Anhangabaú, atingidas pela chuva forte de quarta-feira (14). Embora as intervenções estejam classificadas como prioritárias nos planos municipais de drenagem, a maioria ainda não chegou à etapa de projeto e tem poucos recursos previstos para 2026.

O Plano Diretor de Drenagem, apresentado em setembro pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras e pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, organiza ações previstas até 2049. A prefeitura afirma que a ordem de execução segue critérios como risco, vulnerabilidade da população afetada e complexidade das intervenções, e não uma escolha arbitrária da gestão.

Relatórios municipais apontam que as redes nas bacias dos córregos Sapateiro, Anhangabaú e Saracura não acompanharam a expansão urbana. Há galerias pequenas ou deterioradas, com fissuras, afundamentos, trechos expostos e obstruções. Em alguns pontos da região central, o volume de água que chega à rede pode ser até cinco vezes superior à capacidade de escoamento.

Na bacia do Sapateiro, que inclui o entorno do Ibirapuera, a principal proposta é ampliar a capacidade de armazenamento do lago do parque. O plano prevê elevar parte das margens para aumentar o volume de 101 mil para 235 mil metros cúbicos. Com controle da vazão e retirada de sedimentos acumulados — processo chamado desassoreamento —, a capacidade poderia chegar a 319 mil metros cúbicos.

O custo estimado para elevar as margens é de R$ 7 milhões, com 12 meses de obra. A prefeitura reconhece há mais de uma década que o lago transborda. A intervenção é apontada como forma de reduzir inundações na bacia e proteger áreas até a avenida República do Líbano. Os córregos Boa Vista e Assembleia também passam pelo entorno do parque.

As demais ações prioritárias para a bacia do Sapateiro somam de R$ 326,5 milhões a R$ 378,9 milhões, em valores de 2022 que não foram atualizados. O plano prevê execução ao longo de até 40 anos. A prefeitura informou que entregará em fevereiro de 2027 uma ampliação da capacidade do lago do parque do Carmo, mas essa obra não consta no Plano Diretor de Drenagem.

No centro, uma das intervenções mais avançadas é a praça de retenção e infiltração prevista para a avenida Nove de Julho, perto do Masp. A estrutura combinaria jardins, canteiro central, taludes filtrantes e reservatórios subterrâneos para armazenar água e reduzir a velocidade com que ela escoa. A capacidade prevista é de 4.000 a 5.000 metros cúbicos, com custo estimado de R$ 9,6 milhões e um ano de obras.

A prefeitura informou que o projeto está em andamento e que a segunda audiência pública está marcada para novembro. Depois dessa etapa, serão viabilizados recursos para licitar a obra. A proposta passou a ocupar posição de destaque no plano, enquanto um reservatório na região da rua Avanhandava, com capacidade prevista de 30 mil metros cúbicos, caiu para a posição 124 no ranking.

A praça da Bandeira é um dos pontos mais vulneráveis da bacia. Documentos municipais indicam que, ali, a vazão pode ser cinco vezes maior que a capacidade da galeria, que é antiga e tem trechos solapados, ou seja, desgastados ou cedidos. Na praça 14 Bis, a vazão também supera em quatro vezes a capacidade da rede. Segundo o diagnóstico, em alguns trechos o sistema não dá conta nem de chuvas consideradas comuns.

Para a praça da Bandeira, a proposta de maior porte combina um reservatório nas imediações e a substituição de galerias, ampliando a capacidade em 45 mil metros cúbicos. O custo estimado é de R$ 186,5 milhões, com três anos de obra. A iniciativa é discutida desde 2003, mas há preocupação com possíveis impactos no terminal de ônibus vizinho. Um projeto para a praça 14 Bis foi considerado comprometido por causa das obras da linha 6-Laranja do metrô.

O plano também atribui parte dos alagamentos no túnel do Anhangabaú à água que desce pela avenida Nove de Julho e à dificuldade de operar plenamente o sistema de bombeamento. O acúmulo de lixo nas grelhas pode prejudicar o funcionamento das bombas, que ajudam a retirar a água. As intervenções necessárias para a bacia do Anhangabaú e do Saracura são estimadas entre R$ 376,4 milhões e R$ 407,1 milhões, em valores de 2021 não atualizados.

Para entender

Plano Diretor de Drenagem
Documento municipal que organiza intervenções para reduzir alagamentos e melhorar o escoamento da água da chuva. O plano apresentado em 2026 reúne ações previstas até 2049 e estabelece uma hierarquia de execução com critérios como riscos, vulnerabilidade da população e complexidade das obras.
Desassoreamento
Remoção de sedimentos acumulados no fundo de rios, lagos ou reservatórios. O procedimento pode ampliar o espaço disponível para armazenar água, embora não substitua outras medidas necessárias para controlar vazões e reduzir alagamentos.

Fontes: Folha de S.Paulo

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