Aveia e farinha de banana verde podem influenciar a glicemia
Uma revisão de 15 estudos investigou esses alimentos e o farelo de arroz, mas os resultados variam e não mostram que eles, sozinhos, controlem a glicemia alta.
Resumo em 30 segundos
Uma revisão de 15 estudos encontrou indícios de possíveis efeitos da aveia, da farinha de banana verde e do farelo de arroz sobre a glicemia e outros aspectos da saúde. A betaglucana da aveia e o amido resistente da banana verde são associados a mecanismos metabólicos, mas os resultados dependem da alimentação e de características individuais.
Uma revisão de 15 estudos encontrou indícios de que aveia e farinha de banana verde podem contribuir para o controle da glicemia, do colesterol e da pressão arterial, além de influenciar a microbiota intestinal. A análise, publicada no Journal of Nutritional Science, reuniu pesquisas sobre esses dois alimentos e também sobre farelo de arroz; os autores ressaltam que os resultados variam conforme os métodos, as populações e os desfechos avaliados.
Na aveia, o principal componente associado aos possíveis efeitos é a betaglucana, uma fibra que absorve água e forma um gel no sistema digestivo. Esse processo pode retardar a digestão e a liberação de glicose na corrente sanguínea, o que ajuda a explicar por que o alimento é estudado em relação à glicemia. Há também indícios de que a fibra interfira na ação de hormônios, como a insulina, e em sinais ligados à saciedade.
Isso não significa que a aveia necessariamente aumente ou reduza a glicemia da mesma forma para todas as pessoas. A resposta depende, entre outros fatores, da porção, dos demais ingredientes da refeição e das características individuais. A revisão aponta possibilidades, mas não demonstra que comer aveia, por si só, controle a glicemia alta.
A betaglucana também pode favorecer a redução do colesterol. Ela contribui para a eliminação da bile pelas fezes; como o organismo usa colesterol para produzir esse líquido, o aumento da excreção pode ajudar a diminuir os níveis de colesterol no sangue.
Já a farinha de banana verde se destaca pelo amido resistente, um carboidrato que chega quase intacto ao intestino grosso, onde é fermentado por bactérias da microbiota. A quantidade desse amido cai conforme a banana amadurece. Durante a fermentação, são produzidos ácidos graxos de cadeia curta, como o butirato, associados a funções intestinais e metabólicas.
Esse mecanismo pode estar relacionado à resposta glicêmica, à saciedade, à sensibilidade à insulina e à saúde intestinal. No entanto, o consumo isolado da farinha não garante controle da glicemia nem emagrecimento: os possíveis efeitos dependem da quantidade, da composição da refeição, do padrão alimentar e de cada pessoa.
A nutricionista Alana Reis, do Einstein Hospital Israelita, afirmou que a revisão amplia a compreensão sobre o papel das fibras e reforça a importância de uma alimentação diversificada. Os achados devem ser entendidos dentro do conjunto da dieta e do estilo de vida, não como substitutos de um tratamento para diabetes ou de orientação profissional.
A aveia pode ser consumida em flocos finos ou grossos, com frutas, em mingaus, pães, bolos, biscoitos e panquecas. A farinha de banana verde pode ser acrescentada a iogurtes, vitaminas, mingaus e panquecas, ou substituir parte de outras farinhas em receitas. Na compra, a orientação é verificar a lista de ingredientes, a informação nutricional, a origem e a clareza da rotulagem.
O terceiro alimento analisado, o farelo de arroz, é a camada externa do grão e concentra fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos, incluindo antioxidantes. Pode ser usado em pães, biscoitos, sopas, vitaminas, granola e crackers. Para conservar suas características, recomenda-se escolher versões estabilizadas e observar a validade e o armazenamento, pois oxigênio, umidade, luz e calor favorecem a deterioração.
Para entender
- Betaglucana
- Fibra solúvel presente na aveia. Em contato com água, forma um gel no sistema digestivo e pode retardar a digestão e a absorção de nutrientes. Também é estudada por seus possíveis efeitos sobre o colesterol.
- Amido resistente
- Tipo de carboidrato que escapa em grande parte à digestão no intestino delgado e chega ao intestino grosso, onde pode ser fermentado por bactérias. A banana verde contém mais amido resistente do que a fruta madura.