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Sábado, 17 de outubro de 2026

Estudo questiona eficácia de técnicas extras na fertilização in vitro

Revisão avaliou dez procedimentos adicionais à FIV; três tiveram sinais limitados de benefício, mas os dados não sustentam recomendação de uso rotineiro.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Embriologista examina uma amostra em laboratório de reprodução assistida. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Embriologista examina uma amostra em laboratório de reprodução assistida.
Resumo em 30 segundos

Uma revisão sistemática com meta-análise avaliou dez técnicas extras oferecidas junto à fertilização in vitro. Para a maioria, as evidências de benefício foram insuficientes ou inconclusivas. EmbryoGlue, endometrial scratching e PICSI apresentaram sinais limitados de benefício, mas os pesquisadores não recomendam o uso rotineiro de nenhuma delas. Custos e riscos também devem ser discutidos com a equipe médica.

Acrescentar procedimentos à fertilização in vitro (FIV) não necessariamente aumenta a chance de gravidez ou de nascimento de um bebê, concluiu uma revisão sistemática com meta-análise publicada em julho na revista The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health. O estudo avaliou dez técnicas extras, conhecidas como add-ons, e encontrou evidências insuficientes ou inconclusivas para a maioria delas.

Três intervenções apresentaram algum sinal de benefício em determinados resultados, mas os dados foram considerados limitados. São elas o EmbryoGlue, o endometrial scratching e o PICSI. Segundo os pesquisadores, os achados não bastam para recomendar o uso rotineiro de nenhuma das três.

O EmbryoGlue é um meio usado na transferência do embrião, enriquecido com ácido hialurônico, que busca favorecer a implantação no útero. O endometrial scratching consiste em provocar uma pequena lesão no endométrio, tecido que reveste internamente o útero, na tentativa de estimular uma resposta de reparação. O PICSI é uma técnica de seleção de espermatozoides baseada na capacidade de ligação ao ácido hialurônico, característica que pode indicar maturidade dos gametas.

As demais estratégias examinadas incluem testes voltados à escolha do embrião ou ao momento de sua transferência, intervenções no endométrio e procedimentos que tentam alterar a resposta imunológica. O teste genético pré-implantacional para aneuploidias (PGT-A), por exemplo, analisa células retiradas do embrião para verificar o número de cromossomos e auxiliar na seleção antes da transferência. A proposta é, entre outros objetivos, reduzir abortamentos e a quantidade de transferências necessárias para obter uma gravidez.

Já o teste de receptividade endometrial analisa características do tecido uterino para estimar quando ele estaria mais propício à implantação. O plasma rico em plaquetas (PRP), obtido do sangue da própria paciente, pode ser aplicado no útero com o objetivo de melhorar o endométrio ou, em outra modalidade, nos ovários, para tentar influenciar sua função ou resposta à estimulação. Essas aplicações são experimentais.

A revisão também considerou intralipídios, uma emulsão de gordura administrada pela veia para tentar interferir em mecanismos imunológicos relacionados à implantação, e corticoides, usados com a intenção de modificar a resposta imune. A acupuntura é proposta para favorecer o fluxo sanguíneo aos órgãos reprodutivos, estimular hormônios relacionados à fertilidade e reduzir o estresse, mas não há evidência consistente de aumento da taxa de nascimentos vivos com FIV. O endometrial scratching, por sua vez, não é recomendado como procedimento de rotina.

Para o ginecologista Denis Schapira Wajman, especialista em reprodução humana do Einstein Hospital Israelita, os resultados reforçam a preocupação de que algumas técnicas tenham sido incorporadas antes de haver evidências sólidas de que elevem a chance de nascimento. “Em reprodução assistida, fazer mais não significa necessariamente fazer melhor”, afirmou.

Além da eficácia e da segurança, o custo deve entrar na decisão. A FIV já exige um investimento alto, e os procedimentos adicionais podem elevar o valor do tratamento sem benefício comprovado. Wajman disse que o casal deve discutir com a equipe médica os riscos, os custos, as alternativas e se a técnica tem recomendação de sociedades científicas ou ainda é experimental.

A decisão sobre usar um add-on deve considerar o caso individual e se há melhora em resultados importantes, como o nascimento de um bebê. A disponibilidade de um procedimento não significa, por si só, que ele tenha indicação para aquele paciente ou evidência suficiente para ser usado de forma rotineira.

Fontes: Folha de S.Paulo

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