Safra rebaixa Itaú e Bradesco e indica venda para Banco do Brasil
A revisão reflete a expectativa de crédito mais difícil e risco de recessão em 2027; Nubank mantém recomendação de compra e é a preferência do banco.
Resumo em 30 segundos
O Safra rebaixou Itaú Unibanco e Bradesco de compra para neutra e passou a recomendar venda das ações do Banco do Brasil. A avaliação considera riscos maiores de crédito e possível desaceleração econômica em 2027. Nubank segue como a principal preferência do banco, enquanto o Inter mantém recomendação neutra.
O Safra rebaixou as recomendações para Itaú Unibanco e Bradesco, de compra para neutra, e passou a indicar venda para o Banco do Brasil. O Nubank continuou com recomendação de compra, enquanto o Inter manteve a avaliação neutra, em uma revisão motivada pela expectativa de um ciclo de crédito mais difícil e pelo risco de recessão no Brasil em 2027.
O banco prevê menor procura por financiamentos caso a atividade econômica desacelere, ao mesmo tempo que a inadimplência pode pressionar os resultados. A análise considera também que as instituições podem ter menos capacidade de compensar o custo do crédito com receitas, além de uma possível piora na qualidade dos ativos — os empréstimos e outros créditos mantidos em carteira.
Outro fator apontado é o fim dos períodos de carência de empréstimos a pequenas e médias empresas apoiados pelo governo. Com o encerramento desse prazo, algumas empresas podem enfrentar dificuldades para retomar os pagamentos, elevando o risco de atrasos e a necessidade de provisões. Provisões são valores reservados pelos bancos para cobrir perdas esperadas com créditos que podem não ser pagos.
Para Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, o Safra revisou estimativas de resultados e adotou taxas de desconto mais altas, usadas para calcular o valor presente de ganhos futuros. A avaliação é que o cenário combina perspectivas mais fracas para crescimento das carteiras e rentabilidade com riscos maiores de crédito. No caso de Itaú e Bradesco, o banco considera que o potencial de valorização ficou mais limitado, apesar da escala e da presença dessas instituições no mercado.
O Banco do Brasil, segundo a análise, está mais exposto aos efeitos de uma desaceleração, especialmente pelos riscos ligados à qualidade dos empréstimos e às provisões. O Safra avalia que a relação entre risco e retorno das ações se tornou menos favorável, sobretudo em segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico.
O Nubank é a principal preferência do Safra entre os bancos acompanhados. O relatório atribui a posição à qualidade do processo de concessão de crédito e ao vínculo principal que a instituição mantém com seus clientes, fatores que poderiam dar mais resiliência aos resultados em uma economia fraca. A projeção do Safra é de retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) próximo de 29% em 2027, lucro líquido de R$ 25,4 bilhões naquele ano e de R$ 31,2 bilhões em 2028.
A licença bancária do Nubank no México também é apontada como uma possibilidade de expansão, com potencial para ampliar a oferta de produtos e a geração de receitas. Para o Inter, por sua vez, a previsão é de crescimento de 9% na carteira de crédito em 2027, ROE perto de 15% e lucro líquido de R$ 1,75 bilhão — cerca de 17% abaixo do consenso do mercado. A rentabilidade estimada ficaria abaixo do custo de capital próprio, isto é, do retorno exigido pelos investidores.
O Safra afirma que a evolução da economia, da inadimplência e das provisões será determinante para o setor em 2027. Entre os fatores a acompanhar estão a demanda por crédito, a rentabilidade das carteiras e a capacidade dos bancos de preservar margens em um ambiente mais competitivo.
Para entender
- Provisões
- Valores que os bancos reservam para cobrir perdas esperadas com empréstimos e outros créditos que podem não ser pagos. A necessidade de provisões pode aumentar quando cresce o risco de inadimplência.
- ROE
- Sigla em inglês para retorno sobre o patrimônio líquido. É um indicador de rentabilidade que relaciona o lucro de uma instituição ao capital próprio investido nela.