Itaú amplia carteira de crédito e mantém inadimplência sob atenção
Resultado do terceiro trimestre mostra avanço de 10,9% na carteira brasileira, enquanto analistas acompanham os atrasos e os riscos para 2027.
Resumo em 30 segundos
O Itaú Unibanco registrou crescimento de 10,9% em sua carteira de crédito no Brasil em 12 meses, com destaque para consignado, empréstimos a PMEs e financiamento imobiliário. Analistas avaliaram que custos de crédito e capital seguem controlados, mas apontaram a inadimplência e a pressão sobre spreads como pontos de atenção para os próximos trimestres.
O Itaú Unibanco divulgou na noite de terça-feira os resultados do terceiro trimestre, em um período de piora no ciclo de crédito. Analistas avaliaram que o banco manteve crescimento e controle dos custos de crédito, mas destacaram a inadimplência como ponto de atenção para os próximos trimestres, especialmente diante das perspectivas para 2027.
A carteira de crédito no Brasil avançou 10,9% em 12 meses, impulsionada por empréstimos consignados a pessoas físicas, linhas com garantias para pequenas e médias empresas (PMEs) e financiamentos imobiliários, que cresceram 15,8%. Analistas do Safra apontaram o aumento da carteira como a principal surpresa positiva do trimestre. A receita com tarifas, por outro lado, permaneceu fraca.
No crédito para empresas no Brasil, a formação de inadimplência quase dobrou em relação ao trimestre anterior e chegou a R$ 524 milhões. O valor ainda é considerado pequeno. A formação de inadimplência mede o volume de operações que passam a apresentar atraso ou risco de não pagamento em determinado período.
O Citi avaliou que o resultado combinou crescimento de receita, custos de crédito controlados e disciplina na concessão de empréstimos. A margem financeira avançou com a contribuição das operações com clientes e do maior volume de crédito. A margem com o mercado também ajudou, mas pode não manter o mesmo impulso nos próximos períodos.
A qualidade dos empréstimos segue como foco. Segundo a análise do Citi, a alta da inadimplência ficou concentrada nas PMEs e refletiu, em grande parte, a retomada dos pagamentos após o fim dos períodos de carência de programas governamentais. As exposições classificadas nos estágios 2 e 3 — categorias que indicam aumento significativo do risco de crédito ou operações com problemas — caíram. A formação de inadimplência ficou estável, e o custo do risco permaneceu em 2,7%.
O índice de capital principal, conhecido pela sigla CET1, subiu 0,4 ponto percentual na comparação trimestral, para 12,7%. O indicador mede o capital de maior qualidade disponível para absorver perdas. Para o Citi, o avanço reforça a capacidade do banco de enfrentar oscilações na carteira, manter a expansão do crédito e distribuir capital.
A XP também considerou o Itaú bem posicionado para um cenário de crédito mais difícil, citando a disciplina na concessão, a composição da carteira e os níveis de capital. A avaliação é que uma normalização da inadimplência pode ser administrável. A questão para 2027, segundo os analistas, é se o crescimento das operações e das margens conseguirá compensar a pressão gradual sobre os spreads — a diferença entre as taxas cobradas nos empréstimos e os custos de captação — caso os juros caiam.
Para entender
- CET1
- O índice CET1 mede o capital principal de um banco em relação aos ativos ponderados pelo risco. Esse capital, formado sobretudo por ações e lucros retidos, é considerado de alta qualidade e ajuda a instituição a absorver perdas.
- Spread bancário
- Spread é a diferença entre os juros cobrados pelos bancos em empréstimos e o custo de captação dos recursos que financiam essas operações. Ele é influenciado por fatores como risco de crédito, despesas e condições do mercado.