Rui Costa é investigado por compra de respiradores na Bahia
O Consórcio Nordeste pagou R$ 48,7 milhões antecipadamente por equipamentos que não foram entregues; a apuração tramita no Superior Tribunal de Justiça.
Resumo em 30 segundos
Rui Costa é investigado por possíveis irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia, quando liderava o Consórcio Nordeste. O grupo pagou R$ 48,7 milhões antecipadamente, mas os equipamentos não foram entregues. O caso integra investigações e processos envolvendo seis pessoas que ocuparam cargos de destaque no governo Lula, em diferentes fases e instâncias.
O senador Rui Costa (PT-BA), ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil, é investigado por possíveis irregularidades na compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19. O Consórcio Nordeste, então liderado por Costa, pagou antecipadamente R$ 48,7 milhões pelos equipamentos, que não foram entregues; o caso tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A apuração busca esclarecer a operação, e o caso não representa uma condenação do senador. A defesa de Costa afirma que a aquisição ocorreu em meio a uma emergência sanitária e diz ter interesse na celeridade da investigação. O consórcio também recorreu à Justiça para tentar reaver o dinheiro pago.
O episódio integra um conjunto de investigações e processos que envolvem seis pessoas que ocuparam cargos de destaque no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os casos estão em diferentes instâncias e fases: alguns dizem respeito a fatos ocorridos durante o atual mandato, iniciado em 2023, enquanto outros investigam suspeitas de períodos anteriores.
Entre os demais nomes está Silvio Almeida, ex-ministro dos Direitos Humanos, denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF), em março de 2025. A denúncia trata de suspeita de importunação sexual contra Anielle Franco, então ministra da Igualdade Racial. O processo corre sob sigilo, e não há informação sobre decisão a respeito do recebimento da denúncia. Almeida nega ter cometido crime e afirmou que foi alvo de uma intriga política.
Juscelino Filho, ex-ministro das Comunicações, também foi denunciado pela PGR ao STF, em 2025. Ele é suspeito de corrupção ligada ao desvio de emendas parlamentares, em fatos anteriores à sua passagem pelo ministério. O ex-ministro afirma ser inocente e diz que a denúncia não comprova culpa. Tanto ele quanto Almeida deixaram os cargos em meio às acusações.
A Polícia Federal (PF) investiga ainda Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete de Lula. A apuração examina repasses financeiros e o pagamento de despesas pessoais pela lobista Roberta Luchsinger, em um caso relacionado ao empresário Fábio Luís, filho do presidente, conhecido como Lulinha. A PF pretende ouvir Santana em um inquérito sobre suspeita de tráfico de influência. Ele diz que recebeu um empréstimo pessoal e que já o quitou.
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi indiciado pela PF por suspeita de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Ele está preso preventivamente, no contexto da investigação sobre desvios que atingiram aposentados e pensionistas. Stefanutto nega envolvimento, e sua defesa afirma que não há elementos que o liguem aos recursos investigados.
Fernando Pimentel, presidente da Empresa Gestora de Ativos (Emgea), responde a uma ação penal sigilosa por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso está ligado a uma investigação policial iniciada em 2015 e passou por mudanças de competência entre o STF e a Justiça Federal em Brasília. Pimentel nega as acusações.
Ao assumir o governo, Lula afirmou que integrantes envolvidos em irregularidades poderiam ser afastados. Em reunião ministerial em janeiro de 2023, declarou: “Quem fizer errado sabe que tem só um jeito, a pessoa será, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo e, se cometeu algo grave, terá que se colocar diante das investigações e da própria Justiça”.