Campanha de Flávio reforça promessa sobre Bolsa Família na propaganda
Após a fala de Daniella Marques sobre a transição para beneficiários que consigam renda própria, a equipe prepara uma peça para explicar a proposta.
Resumo em 30 segundos
A campanha de Flávio Bolsonaro prepara uma peça eleitoral sobre o Bolsa Família após declarações de Daniella Marques sobre uma transição de até dois anos para beneficiários que consigam emprego ou abram um negócio. O material deve reiterar promessas de ampliar e reajustar o programa e esclarecer que a regra não prevê o fim do benefício para essas famílias.
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma peça de propaganda eleitoral sobre o Bolsa Família após declarações de sua coordenadora econômica, Daniella Marques, sobre uma regra de transição para beneficiários que conseguissem emprego ou abrissem um negócio. A iniciativa busca esclarecer a proposta e conter críticas de que um eventual governo do senador encerraria o benefício para essas famílias depois de dois anos.
A controvérsia começou nesta segunda-feira, quando Daniella afirmou, em entrevista à rádio CBN Salvador, que os beneficiários que passassem a ter renda própria poderiam permanecer no programa por até dois anos. Segundo ela, haveria a possibilidade de retorno ao Bolsa Família caso o emprego ou o negócio não se sustentasse. Aliados de Lula passaram a divulgar a declaração nas redes sociais como sinal de que o benefício seria cortado após esse prazo.
Flávio publicou um vídeo para negar que pretenda estabelecer um limite de permanência no programa. Ele afirmou que os beneficiários poderiam continuar recebendo o auxílio por até dois anos depois de conseguir emprego ou abrir uma empresa e voltariam automaticamente caso perdessem essa fonte de renda. Daniella também divulgou uma gravação para explicar que o período seria uma transição, não o desligamento de todos os participantes.
A propaganda planejada deve reiterar promessas de ampliar o programa e reajustar os valores pagos às famílias. Também deve abordar a proteção durante a transição para quem ingressar no mercado de trabalho ou decidir empreender. A campanha já mencionava a manutenção do Bolsa Família e de outros benefícios em suas peças diárias, mas pretende dedicar mais espaço ao tema.
Integrantes da equipe avaliam que a fala da coordenadora não apresentou a proposta com clareza e abriu uma frente de desgaste. Também há desconforto com a exposição de Daniella em entrevistas sobre medidas de um eventual governo e com declarações que, segundo aliados, não teriam sido alinhadas previamente com o núcleo político da campanha.
O episódio preocupa a equipe por ocorrer na reta final da disputa e por permitir que Lula associe uma eventual gestão de Flávio a cortes em programas sociais. O senador se comprometeu a reduzir despesas públicas em cerca de R$ 200 bilhões, mas ainda enfrenta questionamentos sobre quais áreas seriam afetadas. A campanha afirma que a redução se concentraria nos gastos da máquina pública, sem atingir programas sociais.
A equipe também compara o caso à controvérsia de 2022 em torno de uma proposta discutida pelo então ministro da Economia, Paulo Guedes, para mudar a metodologia de correção do salário mínimo e das aposentadorias. A discussão, que veio a público em 19 de outubro daquele ano, foi usada pela campanha de Lula para alertar sobre possíveis perdas no poder de compra. Jair Bolsonaro gravou um vídeo para negar que pretendesse retirar a reposição da inflação do salário mínimo.
A regra descrita por Daniella prevê uma proteção temporária para que a família não perca imediatamente o benefício ao conseguir renda do trabalho ou de um negócio. A possibilidade de retorno, segundo a explicação dada por ela e por Flávio, busca evitar que uma nova fonte de renda instável deixe a família sem auxílio. A campanha pretende apresentar esse mecanismo junto às promessas de ampliar e reajustar o programa.