Roberta Luchsinger diz que vai colaborar com a PF e cita ministros
Investigada com Lulinha em três inquéritos no STF, a lobista afirma que o filho do presidente se encontrava semanalmente com ministros.
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Roberta Luchsinger disse que pretende colaborar com a Polícia Federal nas investigações sobre suspeita de tráfico de influência e que não poupará Lula nem o filho dele, Lulinha. Ela afirma que Lulinha se encontrava semanalmente com ministros. Os dois são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
A lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende colaborar com a Polícia Federal (PF) nas investigações sobre suposto tráfico de influência e disse que não poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em entrevista à CNN Brasil, ela também declarou que Lulinha se encontrou “inúmeras vezes” com ministros do governo federal.
Luchsinger e Lulinha são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). A lobista disse que quer prestar depoimento à PF e que dará informações sobre o que sabe. “A Polícia Federal vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém”, afirmou. Ela também chamou Lula de “grande mau caráter”, “grande mentiroso” e “grande covarde”.
A lobista afirmou que decidiu falar depois de Lula chamá-la de “pilantra” e compará-la a Daniel Vorcaro, do Banco Master. O presidente negou conhecer Luchsinger e disse que ela teria atribuído a ele uma suposta oferta de cargo no governo, o que também negou. Lula afirmou ainda que Lulinha não se reuniu com alguns dos principais ministros.
Em resposta, Luchsinger disse que o filho do presidente se encontrava semanalmente com ministros. Citou o ex-ministro da Educação Camilo Santana e afirmou que Lulinha viajou à casa dele, no Ceará. Segundo ela, os encontros envolviam conversas sobre diferentes assuntos, enquanto ela própria se reunia com ministros para tratar de políticas públicas.
As apurações também examinam a relação de Luchsinger com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como articulador de um esquema de fraudes em benefícios previdenciários. Ela nega participação nas fraudes. A defesa da lobista critica o vazamento de informações sigilosas e afirma que só se manifestará nos processos.
Segundo as investigações, Luchsinger teria usado contatos no Palácio do Planalto, incluindo acesso a Lulinha e ao então chefe de gabinete, para tentar viabilizar negócios de clientes. Ela realizou mais de 40 visitas a órgãos federais desde o início do terceiro mandato de Lula. O governo nega que reuniões tenham resultado em contratos.
Luchsinger é amiga de Lulinha e foi candidata a deputada estadual pelo PT em 2018. Declarou patrimônio de R$ 1,5 milhão à Justiça Eleitoral e ficou como suplente. Ela é herdeira da família que fundou o Credit Suisse; seu avô, Peter Paul Arnold Luchsinger, foi ex-acionista do banco. A lobista também publica nas redes sociais imagens de itens de luxo e viagens internacionais.