Roberta Luchsinger diz que pretende fazer delação sobre governo
Em entrevista à CNN, a lobista criticou Lula e Lulinha, afirmou que foi próxima do filho do presidente e mencionou suspeitas ainda sem comprovação.
Resumo em 30 segundos
Roberta Luchsinger afirmou que pretende fazer uma delação sobre suspeitas ligadas ao governo federal. Na entrevista, criticou Lula e seu filho, Lulinha, e mencionou um contrato de R$ 2 bilhões com o grupo Mota-Engil. Não há indicação de que uma negociação de colaboração premiada tenha começado, nem comprovação das acusações.
Roberta Luchsinger afirmou, em entrevista à CNN no sábado (17), que pretende fazer uma delação para revelar informações sobre suspeitas de irregularidades ligadas ao governo federal. A lobista também criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com quem diz ter mantido uma amizade próxima. Ela está proibida de deixar São Paulo desde janeiro e foi alvo de busca e apreensão em casa.
Na entrevista, Luchsinger reagiu a declarações de Lula, que a chamou de “picareta” em entrevista à TV Globo e de “Vorcaro feminino” em um podcast. Ela afirmou que o presidente mente ao dizer que não a conhece nem esteve com ela. Também criticou Lulinha por não ter entrado em contato para saber como ela e as duas filhas estão.
A lobista disse que decidiu falar após um acidente recente envolvendo uma das filhas, cujas circunstâncias não foram esclarecidas. Ela afirmou ainda que recebe ameaças. Não foram apresentados detalhes sobre o conteúdo ou o momento de uma eventual delação, nem sobre quais autoridades a receberiam.
Luchsinger também questionou por que a Polícia Federal não teria feito operações contra Lulinha ou o chamado para depor. O relato sobre a ausência de medidas contra ele foi feito por ela na entrevista; não há, no material citado, manifestação da Polícia Federal sobre as perguntas.
Outro ponto levantado por Luchsinger foi um contrato de R$ 2 bilhões entre o governo brasileiro e o grupo português Mota-Engil. Ela afirmou que o acordo foi firmado depois que Amauri Rodrigues Pinha, descrito por ela como amigo e vizinho de Lulinha, assumiu a presidência do conselho de administração da subsidiária brasileira da empresa, a ECB — Empresa Construtora Brasil. A entrevista não detalhou o objeto do contrato nem apresentou documentos que comprovem a relação entre a nomeação e o acordo.
Luchsinger foi descrita como lobista que atuava em parceria com Lulinha para aproximar empresários de ministérios, entre eles Saúde, Previdência e Desenvolvimento Social. A finalidade, segundo essa descrição, seria abrir espaço para negócios com órgãos do governo. As alegações de atuação conjunta e de influência sobre contratos não foram acompanhadas, no material disponível, de respostas de Lulinha ou de representantes dos ministérios e da empresa.
A possibilidade de delação anunciada por Luchsinger ainda não equivale a um acordo formal nem comprova as acusações. Uma colaboração premiada depende de negociação com autoridades e de homologação judicial; as informações relatadas não indicam que esse processo tenha começado.