Defesa de Lulinha nega irregularidades e contesta investigação do INSS
Roberta Luchsinger diz que pretende fazer delação premiada e afirma que Lulinha participou de reuniões com ministros; acordo ainda depende de negociação e homologação judicial.
Resumo em 30 segundos
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou irregularidades e contestou a investigação sobre fraudes no INSS. A manifestação ocorreu após Roberta Luchsinger anunciar que pretende negociar uma delação premiada e dizer que pode falar sobre Lulinha e o presidente Lula. A defesa afirma que ele não foi indiciado.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, negou neste sábado (17) que ele tenha cometido irregularidades e contestou a condução das investigações sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A manifestação veio depois que a empresária e lobista Roberta Luchsinger afirmou que pretende negociar um acordo de delação premiada e que está disposta a falar sobre o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em nota assinada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, a defesa disse que Lulinha colocou dados bancários, fiscais e telemáticos à disposição da Justiça. Também afirmou que as relações dele com políticos e integrantes do governo federal são pessoais, construídas desde a infância, e não envolvem práticas ilegais.
Os advogados questionaram a quebra do sigilo telefônico de Roberta no inquérito sobre irregularidades no INSS. Segundo a defesa, a medida buscou informações sobre Lulinha relativas a um período anterior ao início da relação entre a empresária e Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O advogado apontou o episódio como possível indício de direcionamento da investigação e disse que Lulinha não foi indiciado na operação.
Roberta é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de tráfico de influência envolvendo relações com integrantes do governo. Em entrevista neste sábado, ela declarou que pretende colaborar com a Justiça e apresentar informações que, segundo ela, não estariam nos aparelhos e documentos já apreendidos. Um acordo de delação premiada depende de negociação com as autoridades e de homologação judicial; a intenção anunciada, por si só, não significa que o acordo tenha sido fechado.
A empresária afirmou que Lulinha participou de reuniões com ministros e que o presidente teria conhecimento dos encontros. “Eu não vou poupar ninguém”, disse, ao mencionar Lula e o filho. Ela também criticou o presidente e afirmou que está disposta a prestar esclarecimentos sobre os dois.
A defesa de Lulinha classificou as declarações públicas de Roberta como insinuações e disse que elas seriam incompatíveis com o depoimento prestado por ela às autoridades. Na nota, atribuiu as falas da empresária à insatisfação com declarações de Lula sobre seu caráter e com a divulgação de informações sigilosas ligadas às investigações.
Roberta não é a única pessoa citada nas apurações sobre o INSS: Antônio Camilo Antunes, chamado de Careca do INSS, é apontado nas investigações como figura ligada às suspeitas de irregularidades. As informações divulgadas sobre o caso não estabelecem, porém, que Lulinha tenha sido indiciado. A defesa também acusou a investigação de possível manipulação e “pescaria probatória”, expressão usada para criticar a busca por elementos sem um foco previamente definido.
Para entender
- Delação premiada
- Acordo em que uma pessoa investigada ou acusada fornece informações às autoridades em troca de benefícios previstos em lei. A negociação precisa ser formalizada e o acordo, homologado pela Justiça; anunciar a intenção de colaborar não significa que a delação esteja fechada.