Flávio Bolsonaro leva relação de Lulinha com lobista a debate
Roberta Luchsinger disse que pretende propor delação premiada, mas não apresentou provas contra Lula ou o filho na entrevista à CNN Brasil.
Resumo em 30 segundos
Flávio Bolsonaro afirmou que vai questionar Lula sobre a relação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com Roberta Luchsinger, no debate da Band. A lobista, investigada na Operação Sem Desconto, disse que pretende propor delação premiada. Lula negou contato com ela e afirmou desconhecer os fatos relatados.
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende questionar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a relação do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com a lobista Roberta Luchsinger, durante debate eleitoral neste domingo. A movimentação ocorreu após Luchsinger dizer, em entrevista à CNN Brasil no sábado, que pretende propor um acordo de delação premiada; ela não apresentou provas de envolvimento de Lula ou do filho em crimes durante a conversa.
Flávio publicou trechos da entrevista nas redes sociais e anunciou que abordaria o assunto no debate da Band, marcado para a noite deste domingo. Em uma das postagens, reproduziu as críticas de Luchsinger ao presidente e escreveu: “Fala tudo, Roberta”. O candidato disputa o segundo turno com Lula.
Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Lula afirmou desconhecer os fatos relatados pela lobista e negou ter mantido contato com ela ou recebido demandas. O governo também declarou que não há contratos federais com Luchsinger. A nota classificou como “estranheza” a divulgação das declarações às vésperas do segundo turno e disse que denúncias sem comprovação podem ser usadas para influenciar o eleitorado.
Na entrevista, Luchsinger afirmou que Lulinha se encontrava semanalmente com ministros durante o governo do pai. Também disse que não pouparia o presidente nem o filho em uma eventual colaboração com a Polícia Federal (PF). A delação premiada é um acordo em que uma pessoa investigada fornece informações e provas às autoridades; a eventual proposta precisa ser analisada e validada pelas instâncias competentes.
Luchsinger é investigada pela PF por suspeita de tráfico de influência e, junto com Lulinha, aparece no inquérito da Operação Sem Desconto. A investigação apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo a PF, a lobista recebeu R$ 1,5 milhão do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ela afirmou que os valores correspondiam a serviços de consultoria.
Em uma das transferências, Antunes teria informado a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. A PF considera possível que a expressão se referisse a Lulinha, mas essa interpretação não comprova, por si só, que ele recebeu o valor ou participou de irregularidades. Luchsinger e Lulinha são investigados, e as suspeitas ainda dependem da apuração.
A lobista também afirmou que era amiga de Lulinha e criticou o presidente por tê-la chamado de “pilantra” em uma entrevista à TV Globo, em agosto. Disse que passou a receber ameaças depois da declaração e que está com os bens bloqueados. Luchsinger declarou que pretende se defender no devido processo legal e afirmou que não aceitará ser responsabilizada sozinha por eventuais crimes.
Ao criticar Lula e Lulinha, ela disse que se considera vítima e alegou que os dois seriam cúmplices. Essas afirmações são declarações da investigada, não conclusões da polícia ou da Justiça. Na nota, a Presidência afirmou ainda que Lula jamais manteve interlocução com a lobista e que desconhece supostas tratativas mencionadas por ela.